A Kalshi, bolsa americana de mercados de previsão, está em conversas avançadas para captar cerca de US$ 1 bilhão numa rodada que a avaliaria em aproximadamente US$ 40 bilhões, segundo apuração exclusiva da Reuters com pessoas a par do assunto. A rodada ainda não foi concluída: as fontes esperam fechá-la nas próximas semanas.
Kalshi: da rodada de maio à negociação atual
| Quando |
O que foi reportado |
Status |
| Maio de 2026 |
Série F de US$ 1 bi, avaliação de US$ 22 bi |
Concluída |
| 24 de junho de 2026 |
Financial Times relata conversas a US$ 40 bi |
Reportagem |
| Agosto de 2026 |
The Information relata conversas de Sequoia e Wellington |
Reportagem |
| 29 de setembro de 2026 |
Cerca de US$ 1 bi, avaliação de cerca de US$ 40 bi |
Em negociação |
Rodadas e negociações da Kalshi segundo reportagens. Fonte: Reuters e Cointelegraph
Quem está na mesa de negociação
Pelo relato das fontes à agência, a Sequoia Capital, que já é acionista, discute liderar a rodada ao lado da Wellington Management. Os nomes novos são Tiger Global Management e Dragoneer Investment Group, cuja participação, assim como o tamanho da captação, não havia aparecido em reportagens anteriores. A Sequoia tem assento no conselho de cinco membros da Kalshi com Alfred Lin, um dos co-líderes da gestora.
Kalshi e Tiger Global não quiseram comentar; Sequoia, Wellington e Dragoneer deixaram os pedidos da Reuters sem resposta. O Cointelegraph, que repercutiu a apuração, procurou as cinco empresas e também ficou sem retorno imediato.
Um patamar que circula desde junho
A cifra não surge agora. Em maio de 2026, a Kalshi fechou uma Série F de US$ 1 bilhão com avaliação de US$ 22 bilhões, rodada que já tinha dobrado o valor anterior da empresa. Em 24 de junho de 2026, o Financial Times noticiou conversas no patamar de US$ 40 bilhões, com fechamento possível já no terceiro trimestre, de acordo com o Cointelegraph. Em agosto, o site The Information relatou as tratativas de Sequoia e Wellington.
Segundo a Reuters, a captação acompanha a tentativa da empresa de Nova York de ir além dos contratos sobre esportes e eleições e virar uma plataforma de negociação para várias classes de ativos, o que a coloca em disputa com CME Group e ICE, controladora da Bolsa de Nova York. Números da Dune Analytics citados pela agência indicam que a Kalshi passou à frente da rival Polymarket em participação no último ano. A Polymarket, que tem a ICE entre seus maiores apoiadores, negocia em paralelo a própria rodada de US$ 1 bilhão.
Criada em 2018 por Tarek Mansour e pela brasileira Luana Lopes Lara, ambos formados no MIT, a Kalshi responde à CFTC, a comissão que supervisiona derivativos nos EUA, e saiu da aceleradora Y Combinator. As fontes e uma entrevista de Mansour à CNBC indicam conversas iniciais sobre uma possível abertura de capital nos próximos anos. Na operação, a bolsa pôs o Claude, da Anthropic, na checagem final dos contratos.
No Brasil, onde um veto do governo a tirou do mercado, a empresa diz que o plano A é negociar a volta.
O que observar
A primeira pergunta é se a rodada fecha no valor e no prazo que as fontes projetam, já que o número de US$ 40 bilhões circula desde junho de 2026 sem confirmação da empresa. A segunda é o apetite de gestoras de venture e de fundos crossover por bolsas de previsão reguladas, num momento em que parlamentares americanos passaram a questionar o crescimento acelerado desse mercado. Vale acompanhar ainda se a corrida por capital entre as duas rivais se converte em novos produtos fora do nicho de eventos ou em pressão maior dos reguladores.
Fontes: Reuters • Cointelegraph • Let’s Money (Kalshi e o Brasil) • Let’s Money (Kalshi e o Claude)