Abecs: fraude online no cartão caiu 36,5% de 2022 a 2025
No índice da Abecs, a fraude online com cartão foi de 54,4 a 34,5 pontos-base do 3º tri de 2022 ao de 2025; somados todos os canais, a queda foi de 23,8%.
O cartão ficou mais seguro justamente onde ele era mais vulnerável. No Brasil, o indicador de fraude do cartão nas compras pela internet recuou 36,5% em três anos: de 54,4 pontos-base no 3º trimestre de 2022, foi a 34,5 no mesmo trimestre de 2025, segundo a leitura mais recente do Monitor de Fraudes da Abecs; os releases da associação em 2026 não trouxeram índice novo. Na loja física, o número segue em 1,2.
Como a Abecs mede a fraude no cartão
A conta da associação das empresas de cartões pega o valor fraudado, divide pelo total das transações aprovadas e multiplica por 10 mil. O resultado sai em pontos-base (basis points, no termo do mercado). A série começou em 2022, ano que serve de base para a comparação.
Na soma de todos os canais, a queda foi de 23,8%: o indicador geral saiu de 12,8 e terminou em 9,8 pontos-base. Na loja física, o chip e o pagamento por aproximação mantêm a fraude presencial perto de zero, sem variação no período.
Abecs · índice de fraude por valor com cartões
Na compra online, o índice de fraude caiu de 54,4 para 34,5
Valor fraudado dividido pelo valor aprovado, multiplicado por 10 mil (pontos-base); 3º tri de 2022 e 3º tri de 2025
Contada por ocorrência, e não por valor, a queda foi de 32,4%: eram 52 casos por 100 mil operações com cartão e passaram a ser 35. O recuo veio enquanto o número de pagamentos com cartão no país crescia mais de 20% em três anos, de acordo com a Abecs.
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Autenticação e IA na explicação da Abecs
A associação credita a melhora principalmente à autenticação reforçada. Na tokenização, o número real do cartão dá lugar a um código; o 3DS, na versão 2.0, confirma se quem compra é o titular. Entram ainda sistemas de prevenção com inteligência artificial, que vigiam em tempo real o padrão de uso do cartão e podem avisar o cliente a cada pagamento. A Visa, por exemplo, apontou que cadastrar o cartão no iPhone por aproximação tem menos fraude que digitar o número.
“O uso dos cartões de crédito e débito continua sendo a maneira mais segura de se realizar pagamentos no Brasil, seja no ambiente presencial, seja em transações online”, afirmou Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs, no comunicado. A entidade, que terá um ex-BC como primeiro presidente-executivo em 2027, também divulgou quanto vale, em média, cada compra fraudada.
Fraude no crédito e na loja física tem tíquete maior
Na comparação de recortes, a fraude online tem valor médio de R$ 258,74, abaixo dos R$ 322,16 do ambiente presencial, onde ela é bem mais rara. No conjunto, a média ficou em R$ 263,50, cifra que a Abecs classifica como baixa diante de outros meios, como o Pix.
O dado voltou ao noticiário em outubro, quando a Exame o usou para contextualizar o Pagamentos Rápidos, checkout com tokenização que o Mercado Pago lançou em setembro para grandes varejistas, como o Let’s Money detalhou na estreia do produto. Na fase de testes, a empresa relatou que a aprovação de pagamentos das lojas participantes subiu em média 12 pontos percentuais.
O que observar
O levantamento divulgado pela Abecs vai até o 3º trimestre de 2025. A próxima leitura vai mostrar se a curva online segue caindo à medida que tokenização e autenticação reforçada se espalham pelo comércio eletrônico, ou se o ganho começa a estabilizar num patamar ainda muito acima do presencial.
A outra métrica que interessa a lojistas é a recusa. Há compras barradas até quando o cliente tem limite sobrando, e cada barreira extra de segurança pode cobrar algo em conversão. Vale acompanhar se emissores, adquirentes e gateways passam a publicar taxa de aprovação ao lado do índice de fraude, porque só as duas juntas dizem se o checkout ficou mais seguro sem perder venda legítima.