Enquanto o Pix se consolida no consumo individual (B2C), o boleto ainda lidera os pagamentos entre empresas (B2B), mas tem perdido espaço pouco a pouco, e não para o Pix. Quem mais avançou foi o depósito bancário, seguido pelo cartão de crédito corporativo.
É o que mostra o novo capítulo do estudo Panorama de Contas a Pagar da Qive, que analisou 236,6 milhões de pagamentos B2B e R$ 3,3 trilhões movimentados em documentos fiscais eletrônicos. Entre 2025 (ano fechado) e o recorte de 2026, de 1º de janeiro a 15 de agosto, a participação do boleto caiu de 77,13% para 72,96% das operações. O Pix chegou a 2,03%.
Qive · pagamentos B2B por método
Boleto recua, mas ainda concentra 72,96% das operações
% do número de pagamentos B2B no recorte de 2026 (1º de janeiro a 15 de agosto); abaixo, o ano fechado de 2025
O dado registra o instrumento declarado na emissão da nota fiscal, e não necessariamente o meio da liquidação. O recorte de 2026 não inclui o quarto trimestre. Fonte: Panorama de Contas a Pagar, da Qive. Arte: Let’s Money.
Em valor financeiro, o boleto passou de 73,74% para 70,42% do montante movimentado.
“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. A transferência bancária é prática, mas não traz o mesmo nível de lastro documental. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um”, afirma Christian de Cico, Co-CEO e Cofundador da Qive. A empresa, antes Arquivei, foi fundada em 2014 em São Carlos (SP), atende mais de 220 mil CNPJs e pediu licença de instituição de pagamento neste ano.
Depósito cresce em frequência, mas com pagamentos menores
O depósito bancário passou de 4,63% para 6,8% dos pagamentos, avanço de 2,17 pontos percentuais, o maior entre os métodos analisados. O ticket médio da modalidade, porém, caiu 31,1%, de R$ 25.174 em 2025 para R$ 17.353 em 2026.
A transferência bancária teve comportamento diferente. A fatia nas operações ficou praticamente estável, de 5,45% para 5,40%, mas no valor movimentado subiu de 9,71% para 11,90%. O ticket médio aumentou 11,8%, para R$ 29.063, o maior entre os métodos.
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Cartão corporativo supera o Pix em número de operações
O cartão de crédito corporativo ganhou participação, de 2,13% para 3,28%, alta de 1,15 ponto percentual. No período analisado de 2026, registrou 2,8 milhões de pagamentos, contra 1,7 milhão do Pix (62% mais operações). Em valor, o cenário se inverte: o Pix movimentou R$ 8,97 bilhões, contra R$ 4,62 bilhões do cartão, com ticket médio de R$ 5.040 no Pix e R$ 1.605 no cartão.
Em 2025, o Pix tinha 1,5% das operações e 0,45% do valor; em 2026, 2,03% e 0,77%. O campo analisado registra o instrumento de cobrança declarado na emissão da nota, e não necessariamente o meio da liquidação. “Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados […]”, explica Christian.
Comportamento varia entre os setores
Em 2026, o boleto liderou a participação no montante movimentado nos 12 setores analisados, com percentuais de 81,97% em Saúde e Farmacêutico a 51,16% no Agronegócio.
Entre 2025 e 2026, o boleto perde participação no valor movimentado em cinco dos 12 setores e ganha em sete. Em número de pagamentos, recua em oito. Tecnologia teve a maior retração, de 9 pontos percentuais, e o Setor Público, o maior avanço, de 11,4 pontos. “[…] cadeias com muitos fornecedores, compras reguladas e alta exigência documental tendem a favorecer um método que já oferece registro formal e conciliação padronizada”, diz o executivo.
A base reúne 148,8 milhões de pagamentos em 2025 e 87,8 milhões em 2026. Como o recorte de 2026 não inclui o quarto trimestre, a comparação indica tendência, e não resultado anual fechado. O capítulo anterior, de outubro de 2025, já mostrava o boleto dominante nos pagamentos B2B.
O que observar
Os números interessam a tesourarias, áreas de contas a pagar e provedores de pagamento que disputam o fluxo entre empresas. Vale acompanhar o ano fechado de 2026, com o quarto trimestre, e se o avanço do depósito bancário e do cartão corporativo se mantém. Outro ponto é quanto do Pix corporativo aparece dentro do boleto, já que o estudo mede o instrumento declarado na nota.