
Stablecoins começam a ganhar espaço como alternativa para pagamentos transfronteiriços. Segundo o portal American Banker, duas empresas de tecnologia blockchain estão acelerando a construção de infraestrutura para viabilizar transferências internacionais usando essas moedas digitais atreladas ao dólar.
A britânica BVNK fechou parceria com a Visa para processar pagamentos em stablecoins pelo Visa Direct, rede que opera em tempo real e conecta 12 bilhões de pontos em 90 esquemas domésticos. O movimento integra a infraestrutura da fintech, que já processa US$ 30 bilhões anualizados em volume de pagamentos, à capilaridade da operadora de cartões.
Polygon muda estratégia e entra no mercado de pagamentos
A Polygon Labs, conhecida pelo boom de NFTs em 2021, realizou duas aquisições por mais de US$ 250 milhões em janeiro. A empresa comprou a CoinMe, que opera em 50 mil pontos de varejo nos Estados Unidos, e a Sequence, plataforma de carteiras digitais.
As compras fazem parte do projeto Open Money Stack, que pretende unificar conversão entre moeda tradicional e stablecoins, carteiras digitais e transferências entre diferentes blockchains. Marc Boiron, CEO da Polygon Labs, explica que o foco está em pagamentos complexos entre países, não em compras domésticas onde sistemas de cartão já funcionam bem.
Mercado ainda busca casos de uso práticos
Apesar do movimento das empresas, stablecoins ainda não são amplamente utilizadas para pagamentos a comerciantes. O volume circulante ultrapassou US$ 300 bilhões em 2025, mas grande parte permanece em negociações de criptomoedas.
Para Enrico Camerinelli, consultor da Datos Insights, bancos podem adotar três estratégias com a tecnologia: incorporar funcionalidade de stablecoins diretamente em seus sistemas de pagamento, usar plataformas de orquestração que simplificam operações ou aplicar capacidades de blockchain sobre redes existentes como a SWIFT.
James Wester, da Javelin Strategy & Research, pondera que ter grandes players construindo infraestrutura não garante adoção. A questão central permanece em encontrar casos de uso que justifiquem a migração dos sistemas tradicionais de pagamento.