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CEO do C6 Consignado nega irregularidades na CPMI do INSS; comissão convida Galípolo

O CEO do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, negou a prática de venda casada e irregularidades em contratos de crédito consignado durante depoimento na CPMI do INSS nesta quarta-feira (19). A Controladoria-Geral da União identificou pelo menos 320 mil contratos com seguros e pacotes de serviços embutidos, e o INSS exige a devolução de […]

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Artur Azevedo, CEO do C6 Bank Consignado, em depoimento na CPMI do INSS nesta quinta-feira (19) • Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O CEO do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, negou a prática de venda casada e irregularidades em contratos de crédito consignado durante depoimento na CPMI do INSS nesta quarta-feira (19). A Controladoria-Geral da União identificou pelo menos 320 mil contratos com seguros e pacotes de serviços embutidos, e o INSS exige a devolução de R$ 300 milhões a aposentados e pensionistas.

Irregularidades apontadas pela CGU e INSS
320 mil
contratos com seguros e serviços embutidos (CGU)
324 mil
contratos com cobranças de clube de benefícios (INSS)
>70%
das operações com falhas biométricas entre 2023-2025
R$ 300 mi
valor que o INSS exige em devolução a aposentados
Fontes: CGU, INSS e depoimentos na CPMI.

O que o CEO declarou

Azevedo se recusou a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, por orientação de sua defesa. Antes do depoimento, a defesa tentou evitar o comparecimento por meio de recurso ao STF, negado pelo ministro André Mendonça.

“Discordo veementemente da decisão que suspendeu novos empréstimos consignados”, disse Azevedo. “Sempre atuamos dentro das regras estabelecidas pelo INSS, pelo Banco Central e pela legislação brasileira.”

O executivo detalhou que, entre setembro de 2022 e junho de 2024, o C6 ofereceu seguro de vida aos clientes, com adesão de cerca de 3%. Posteriormente, passou a oferecer um pacote de benefícios que incluía assistência funeral, consultas médicas e descontos em farmácias, com adesão de aproximadamente 20%. Segundo ele, os produtos eram opcionais e pagos à vista, sem desconto direto nos benefícios previdenciários.

Dados apresentados na sessão, porém, indicam que entre 2021 e 2023 cerca de 135 mil contratos apresentaram problemas documentais. No período de 2023 a 2025, mais de 70% das operações tinham falhas relacionadas à biometria, totalizando quase 3 milhões de contratos com inconsistências. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, considerou que o CEO deveria ser tratado como investigado pela comissão.

Galípolo e Campos Neto na mira

Na mesma sessão, a CPMI aprovou convites para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu antecessor Roberto Campos Neto. Como se trata de convites e não convocações, nenhum dos dois é obrigado a comparecer. As datas ainda serão definidas.

A comissão também decidiu solicitar ao governo federal a prorrogação de 90 dias do prazo para aposentados contestarem descontos associativos não autorizados. O prazo atual expira em 20 de março. Parlamentares citaram irregularidades que incluem empréstimos feitos a crianças e a pessoas já falecidas.

O caso do C6 não é isolado. O INSS já havia suspendido consignados do Inter e de outras três instituições anteriormente. A Agibank também viu seu plano de IPO ser afetado pelo freio do INSS, antes de conseguir destravar a operação.

O que observar

O desdobramento da CPMI pode redefinir as regras de operação do consignado no Brasil, um mercado de R$ 110 bilhões. Se a comissão avançar de convites para convocações, tanto Galípolo quanto Campos Neto seriam obrigados a prestar esclarecimentos sobre o nível de supervisão do BC sobre o segmento.

Vale acompanhar se o C6 conseguirá reverter a suspensão na Justiça e qual será o impacto financeiro da eventual devolução de R$ 300 milhões. O C6 Bank reportou lucro de R$ 2,46 bilhões em 2025, o que sugere capacidade de absorver o impacto, mas o dano reputacional e a perda de novos contratos podem pesar mais no médio prazo.

Fontes: Valor Econômico · CNN Brasil · Valor Econômico (convites)

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