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China avança no Pix enquanto EUA pressiona o Brasil

BC chinês citou o SML em comunicado oficial e apontou interesse em cooperação no Pix, em meio à pressão americana sobre o sistema brasileiro.

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Atualizado em

A autoridade monetária chinesa abriu publicamente espaço para cooperação com o Brasil em pagamentos. Em comunicado divulgado neste mês, o BC chinês citou o SML, mecanismo multilateral hoje rodando no Mercosul, como gancho da conversa. A sinalização chega no momento em que os Estados Unidos enquadram o Pix como prática desleal em investigação comercial.

Pix no centro da disputa EUA x China

País Posição registrada em 2026
Estados Unidos Investigação comercial enquadrou o Pix como prática desleal; recomendação de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras
China Comunicado do BC chinês de junho citou potencial de cooperação no SML e em sistemas de pagamento com o Brasil

Posições dos Estados Unidos e da China sobre o Pix em 2026. Fonte: O Globo

O que o BC chinês colocou na mesa em Xangai

Em junho de 2026, em Xangai, Galípolo, presidente do BC do Brasil, participou da quarta rodada da mesa bilateral que reúne as autoridades monetárias dos dois países. O resultado virou comunicado oficial publicado pelo lado chinês, com balanço dos debates sobre uso de moeda local, financiamento bilateral e operações cross-border.

“Ambas as partes também discutiram o potencial do SML e da cooperação em sistemas de pagamento, a fim de fornecer serviços de pagamento e compensação seguros e eficientes para o comércio bilateral”, afirma trecho do documento. A sigla aparece no documento como “Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML)”, esquema conjunto que permite liquidar comércio na moeda local de cada lado, sem passar pelo dólar como intermediário. A autoridade monetária brasileira faz a conversão com base nas paridades cambiais publicadas a cada dia. A conversa com Pequim ainda está em fase preliminar e não há decisão sobre como o desenho binacional ficaria.

A pressão dos EUA que mudou o tabuleiro

Do outro lado, a Casa Branca vem pressionando em sentido oposto. Em abril de 2026, o Brasil respondeu à investigação comercial dos EUA pela Seção 301 que mira o Pix e o etanol. Para os americanos, o problema é que o BC acumula dois papéis ao supervisionar o ecossistema financeiro e operar o instrumento de pagamento. Esse acúmulo, segundo a apuração, configura conflito que joga provedores estrangeiros em situação adversa. O resultado foi a recomendação de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

Integrantes do governo brasileiro relatados pelo Globo apontam outro motor no incômodo americano: a perspectiva de canais cross-border que dispensam o dólar como ponto de passagem, com efeito direto sobre o papel da moeda dos EUA no comércio global. O avanço do mBridge, plataforma de CBDC cross-border com participação chinesa, opera na mesma direção. Em maio de 2026, o presidente Donald Trump ordenou ao Fed avaliar o acesso de fintechs a sistemas de pagamento, sinalizando atenção à dinâmica.

O Pix internacional que o setor privado já roda

O BC brasileiro reconhece o debate, mas trata cooperação internacional de pagamentos como tema não prioritário no momento, com foco em segurança e em pressões sobre orçamento e quadro de pessoal. O setor privado, contudo, já opera. A PagBrasil mira US$ 600 milhões em Pix internacional no primeiro ano de operação. A série histórica do Let’s Money sobre o tema mostra movimento recorrente do setor privado para destravar pagamentos transfronteiriços via Pix desde 2025.

O que observar

O caso instala três frentes para acompanhar. A primeira é diplomática, com a pergunta de até que ponto o governo brasileiro vai usar a abertura asiática como contraponto formal à pressão americana ou tratará as duas frentes em separado. A segunda é regulatória, com o desenho que o banco central público terá de adotar caso aceite avançar em mecanismo similar ao SML com a China, em particular se a operação passará ou não pelo dólar como moeda intermediária.

A terceira frente é estrutural. O ecossistema brasileiro de pagamentos instantâneos vira referência em uma disputa geopolítica que envolve adquirentes, processadoras de cartão, emissoras de stablecoin e infraestruturas de moeda digital de banco central, com efeitos diretos sobre o custo de transações cross-border e sobre o papel do dólar como moeda de passagem global.

Fontes: O GloboLet’s Money, Brasil responde investigação dos EUALet’s Money, Trump ordena Fed avaliar fintechs em pagamentos

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