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SupervisãoRegulação · CVM

CVM quer IA para achar negociação suspeita até o fim do ano

Presidente Otto Lobo quer até o fim de 2026 a 1ª fase do sistema, que centraliza dados e usa IA para achar padrões suspeitos de negociação no mercado.

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· 3 min

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) quer ter em operação, até o fim de 2026, a fase inicial de um sistema que usa inteligência artificial (IA) para vigiar o mercado de capitais. A ideia é juntar numa base única registros espalhados por várias instituições e usar algoritmos para apontar negociações suspeitas, segundo o presidente, Otto Lobo, em fala reportada pelo Valor Investe.

O plano foi apresentado na quinta-feira (8), na FGV, em São Paulo, num encontro da CVM para mostrar os avanços do GTT, o grupo que a autarquia montou para desenhar regras para ativos tokenizados. “A CVM não pode mais supervisionar o mercado como fazia antes. O mercado cresceu, ficou mais complexo e sofisticado”, disse Lobo, segundo o comunicado oficial do evento. Na mesma fala, ele pôs data na entrega: “vamos entregar até o final do ano um sistema de supervisão com utilização de IA, com apoio da ANCORD, ANBIMA e ABRASCA.”

CVM · agenda de supervisão e tokenização

A primeira fase da fiscalização com IA está prevista para o fim de 2026

Anúncio, etapa pendente e etapa sem prazo, segundo o presidente da CVM, Otto Lobo

Linha do tempo do projeto de fiscalização da CVM. Em 8 de outubro de 2026, o presidente Otto Lobo anunciou o sistema de fiscalização com IA. Até o fim de 2026, a meta da CVM é colocar em funcionamento a primeira fase, com data lake e testes de IA. Em etapa posterior, sem prazo definido, o projeto prevê DLT para acompanhar operações em tempo real.

Etapas tracejadas ainda não aconteceram. Fonte: Valor Investe; CVM. Arte: Let’s Money.

Como a primeira fase da fiscalização com IA deve funcionar

O ponto de partida é um data lake, um repositório central. Sobre ele, a CVM pretende testar ferramentas de IA já usadas por autoridades e operadores de mercado fora do Brasil. A autarquia espera que a estrutura rode 24 horas por dia, em todos os dias da semana, como complemento ao trabalho dos técnicos.

O ganho destacado por Lobo é de tempo. Para reconstituir uma operação suspeita, a fiscalização pode ter de pedir documentos a cada instituição, vaivém que pode durar meses ou anos, segundo ele. Com os registros integrados, a CVM espera enxergar antes três situações: negociações circulares envolvendo partes relacionadas; negócios fechados fora da bolsa em que não fica claro quem são os participantes; e indícios de distorção na formação de preços.

Da punição depois do fato ao bloqueio antes dele

A etapa seguinte, ainda sem data, prevê o uso de DLT (tecnologia de registro distribuído, como a blockchain) para a CVM acompanhar as operações enquanto acontecem. Nesse desenho, debêntures e fundos de investimento tokenizados carregariam regras embutidas: teto de negociação, checagem de que o produto serve ao perfil de quem compra e rotinas contra lavagem de dinheiro. Para Lobo, a lógica muda: menos flagrar e punir depois, mais barrar certas operações antes que se completem.

Em 15 de setembro de 2026, o GTT entregou ao Colegiado a minuta do piloto de tokenização em redes DLT, com testes de 60 dias, prorrogáveis por até 30, e acesso da autarquia aos registros das operações em tempo real. No mesmo mês, Lobo disse que a CVM quer acelerar a tokenização e preparar uma nova infraestrutura com DLT e IA.

Antes, no Token Summit, Lobo já tinha dito que a CVM mira IA na supervisão do mercado de capitais. O anúncio de agora acrescenta o desenho da primeira fase e o compromisso de pôr o sistema de pé até dezembro.

Segundo Lobo, a modernização exigirá gasto com infraestrutura e pessoal. Ele ligou uma supervisão mais eficaz à atração de capital de fora: “O que um investidor estrangeiro precisa ver é previsibilidade”, afirmou.

O que observar

A primeira pergunta é de dados. Um data lake de supervisão depende de intermediários, infraestruturas de mercado e autorreguladores entregarem registros completos e padronizados, e os anúncios não detalham quem fornece o quê. Vale acompanhar se a primeira fase cumpre o prazo.

A outra é de modelo. Ferramentas de IA feitas para outros mercados precisam ser calibradas ao brasileiro, e controles embutidos nos ativos tokenizados deslocam parte da vigilância para o momento da operação. Se esse desenho avançar, corretoras, distribuidoras e emissores de ativos digitais podem ter de embutir regras de conformidade no produto.

Fontes: Valor Investe • CVM (encontro do GTT) • CVM (piloto DLT) • Let’s Money • Let’s Money (agenda de setembro)

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