
A Credit Saison, terceira maior emissora de cartões de crédito do Japão, está prestes a desembarcar no mercado brasileiro de crédito digital. Segundo o Valor Econômico, a subsidiária brasileira da companhia submeteu recentemente um pedido ao Banco Central para obter licença de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI). A aprovação é esperada ainda este ano.
Estratégia focada em PMEs desassistidas
O plano inicial da Saison no Brasil envolve oferecer empréstimos e cartões de crédito para autônomos e pequenas e médias empresas, além de administrar depósitos a prazo fixo. A aposta reflete uma percepção clara: o mercado de crédito brasileiro cresce cerca de 10% ao ano, mas a oferta para PMEs e famílias de baixa renda ainda é insuficiente.
A japonesa já atua no país desde 2023, concedendo empréstimos para fintechs locais. No fim de setembro de 2024, o saldo de empréstimos da empresa no Brasil praticamente dobrou, saltando de 8 bilhões de ienes para 15,4 bilhões de ienes (cerca de US$ 99 milhões). Com a licença SCFI, a Saison poderá emprestar diretamente a pessoas físicas e jurídicas via banco digital — um movimento que tende a impulsionar a lucratividade da operação.
Brasil como novo motor de crescimento global
A escolha do Brasil não é casual. O país ocupa a décima posição mundial em PIB nominal e, segundo projeção da PricewaterhouseCoopers, pode subir para a quinta posição até 2050. A base digital brasileira também pesa na decisão: 80% da população usa o Pix, e as transações via sistema já superam o volume combinado de cartões de crédito e débito.
A Saison vê o mercado brasileiro como replicação de seu modelo indiano bem-sucedido. Na Índia, onde entrou em 2019, a empresa já acumula 330 bilhões de ienes em saldo de empréstimos. O Brasil representa agora a segunda grande aposta internacional da companhia fora do Japão, onde enfrenta estagnação demográfica e baixo crescimento.
A estratégia global da Credit Saison passa por contratar profissionais locais com expertise em gestão de riscos e compliance, além de acelerar parcerias com fintechs e ecossistemas digitais — um modelo que combina infraestrutura financeira robusta com agilidade tecnológica.