PHOTO: BLOOMBERG
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A Polymarket, plataforma de apostas em criptomoedas sobre eventos futuros, alcançou valuation de US$ 9 bilhões após receber investimento de US$ 2 bilhões da Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Nova York. O acordo transformou Shayne Coplan, fundador de 27 anos, no mais jovem bilionário self-made de Nova York — apenas cinco anos depois de estar falido e precisar vender seus móveis para pagar o aluguel.

Da falência ao bilhão em cripto

Coplan abandonou a Universidade de Nova York em 2019 e fundou a Polymarket em 2020, levantando US$ 4 milhões iniciais de investidores como Naval Ravikant. A startup opera como mercado de previsão descentralizado, permitindo que usuários apostem em resultados de eventos usando a stablecoin USDC na blockchain Polygon. Segundo o InvestNews, a plataforma ganhou notoriedade nas eleições dos EUA de 2024, movimentando US$ 3 bilhões em apostas — superando pesquisas tradicionais ao prever corretamente a vitória de Donald Trump.

O modelo permite comprar contratos “sim” ou “não” sobre eventos futuros. Se um contrato custa 60 centavos, o mercado indica 60% de probabilidade daquele resultado. A plataforma abrange desde eleições até temas inusitados como identidade do criador do Bitcoin ou relacionamento de Taylor Swift. A ICE planeja usar dados da Polymarket como indicadores de sentimento de mercado e colaborar em projetos de tokenização.

Controvérsias e investigação do FBI

Apesar do sucesso, a trajetória inclui turbulências. Em 2022, a Polymarket pagou multa de US$ 1,4 milhão à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) por oferecer negociações ilegais, concordando em bloquear usuários dos EUA. Reguladores suspeitavam que a plataforma continuava atendendo americanos via VPN, iniciando investigação sobre possível lavagem de dinheiro.

Uma semana após as eleições de 2024, agentes do FBI invadiram o apartamento de Coplan, apreendendo dispositivos eletrônicos. A investigação foi arquivada em julho de 2025, após Trump assumir e o Departamento de Justiça redirecionar foco da fiscalização cripto. Donald Trump Jr., cujo fundo 1789 Capital investiu na Polymarket, tornou-se conselheiro da empresa.

A plataforma enfrenta críticas sobre possível manipulação de mercado, wash trading (negociações fictícias) e apostas suspeitas com informação privilegiada. Pesquisadores questionam se o volume de negociação reportado é real. A Polymarket agora planeja lançar token próprio (POLY) com distribuição gratuita para usuários, sinalizando expansão apesar das controvérsias.

Gabriel Pereira

Fundador da Let's Money

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.