
A SpaceX concretizou nesta segunda-feira (2) a aquisição da xAI, startup de inteligência artificial também comandada por Elon Musk, em um negócio que avalia a companhia resultante em US$ 1,25 trilhão. Segundo o TechCrunch, a operação cria a empresa privada mais valiosa do mundo e sinaliza uma aposta audaciosa em data centers espaciais — conceito que Musk vem defendendo nos últimos meses.
Por que construir data centers no espaço
Conforme publicado pela SpaceX, a fusão responde a uma limitação crítica da infraestrutura terrestre: o consumo explosivo de energia para treinar modelos de IA. “A demanda global de eletricidade para IA simplesmente não pode ser atendida com soluções terrestres, mesmo no curto prazo, sem impor dificuldades às comunidades e ao meio ambiente”, escreveu Musk em memorando no site da empresa.
A estratégia envolve lançar uma constelação permanente de satélites equipados com capacidade computacional massiva. Empresas como Starcloud, Axiom Space e até o Google já exploram projetos similares, apostando na energia solar contínua e no resfriamento por radiação térmica no vácuo espacial para tornar o processamento de IA mais eficiente e sustentável.
Desafios financeiros e regulatórios à vista
A operação une duas empresas com fragilidades financeiras distintas. Enquanto a xAI queima cerca de US$ 1 bilhão mensalmente, a SpaceX depende fortemente da receita gerada pelo lançamento de seus próprios satélites Starlink, que responde por até 80% do faturamento da companhia. No ano passado, a xAI já havia adquirido a rede social X em uma fusão avaliada em US$ 113 bilhões.
A transação deve enfrentar escrutínio regulatório intenso, principalmente porque a SpaceX mantém bilhões de dólares em contratos federais com a NASA e o Departamento de Defesa dos EUA. Autoridades dessas agências têm poder para revisar fusões que envolvam riscos à segurança nacional. Além disso, persistem dúvidas sobre como o negócio afetará o cronograma de abertura de capital da SpaceX, prevista inicialmente para junho deste ano.