Reprodução: Space X
Reprodução: Space X

A SpaceX submeteu à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos um pedido para lançar até 1 milhão de satélites que funcionariam como data centers em órbita. A proposta surge como resposta à pressão crescente que a inteligência artificial exerce sobre a infraestrutura energética terrestre, com data centers convencionais enfrentando limitações de energia elétrica, uso de água para resfriamento e resistência de comunidades locais.

Segundo o portal PYMNTS, os satélites operariam entre 500 km e 2.000 km de altitude, utilizando energia solar de forma quase contínua e conectando-se diretamente à rede Starlink, que já possui milhares de satélites em operação. A inovação está na mudança de função: em vez de apenas transmitir dados, os satélites processariam informações em órbita, realizando tarefas como inferência de IA, análise em tempo real e filtragem de dados antes de enviar apenas os resultados para a Terra.

Demanda por IA pressiona infraestrutura

A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo elétrico global de data centers deve dobrar até 2030, alcançando 945 terawatts-hora, com servidores especializados em IA crescendo 30% ao ano. Nos Estados Unidos, data centers já representam 4% do consumo de eletricidade nacional e devem chegar a 7-12% até 2028. Estados como Virgínia dedicam 26% de sua eletricidade a essas instalações.

A proposta da SpaceX argumenta que data centers orbitais contornariam gargalos terrestres ao eliminar custos com combustível, reduzir dependência de redes elétricas baseadas em combustíveis fósseis e evitar disputas por uso de terra e recursos hídricos. Além disso, a proximidade com constelações de satélites poderia suportar processamento de baixa latência para aplicações em observação terrestre, defesa e comunicações globais.

Desafios regulatórios e ambientais

Os contrapontos são significativos. Lançar e manter hardware em órbita permanece caro, reparos são difíceis e a gestão de detritos espaciais preocupa reguladores e astrônomos. A constelação atual da Starlink possui cerca de 9.500 satélites — a proposta da SpaceX aumentaria esse número em mais de 100 vezes, intensificando debates sobre congestionamento orbital e poluição visual do céu noturno.

O pedido à FCC cobre apenas uso de espectro, não autorização operacional completa, e a empresa não divulgou cronogramas, clientes ou especificações técnicas detalhadas. Especialistas do setor apontam que a viabilidade econômica de data centers orbitais ainda permanece especulativa, com casos de uso limitados principalmente a defesa, sensoriamento remoto e computação soberana. Ainda assim, a iniciativa força reguladores e a indústria de nuvem a considerar se o espaço pode se tornar parte significativa da infraestrutura global de computação.

Gabriel Pereira

Fundador da Let's Money

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.