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XP lança conta para menores de 18 anos com ações na B3

Conta Menor, gratuita, abre pelo app dos pais sem idade mínima e veta derivativos; só 2% dos brasileiros têm ações na bolsa, segundo a Anbima.

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· 4 min

A XP liberou para toda a sua base de clientes a Conta Menor, conta gratuita em que crianças e adolescentes podem comprar e vender ações na B3, aplicar em renda fixa, pagar com Pix e ter um cartão de débito no formato digital. Quem abre é o responsável legal, pelo próprio aplicativo, para qualquer menor de 18 anos com CPF, sem idade mínima.

Há limite na bolsa. Derivativos e contratos futuros, negociados no segmento BM&F, ficam fora do alcance da conta, restrição que a XP justifica como forma de proteger quem ainda não completou 18 anos. O titular entra com login próprio e, dos 12 anos em diante, pode somar biometria facial ao acesso. Do lado da família, o responsável acompanha o saldo, o extrato e cada movimentação, e o vínculo só termina quando o filho atinge a maioridade ou é emancipado.

A empresa apresenta o produto, divulgado em 8 de outubro, como ferramenta de educação financeira dentro de casa. “A Conta Menor busca justamente apoiar esse processo, aproximando os jovens de experiências financeiras reais, sempre com a participação e o acompanhamento dos responsáveis”, disse Mauricio Ribeiro, Head de Produtos Digitais da XP.

O que os outros fazem com o saldo do menor

Conta para menores já existe em vários bancos; muda o destino do dinheiro guardado. No Nubank, que atende de 6 a 17 anos, as Caixinhas do menor rendem 100% do CDI, na modalidade RDB, segundo o blog do banco.

O Itaú Personnalité lançou a Conta Filhos, para jovens de 8 a 17 anos, com cofrinhos que também pagam 100% do CDI.

O Santander lançou conta digital para adolescentes com Pix, aberta a quem tem de 0 a 17 anos.

O caso mais próximo é o do Inter. Pela página do banco sobre a Conta Kids, atualizada pela última vez em outubro de 2022, o filho acessa a plataforma de investimentos com renda fixa, fundos e renda variável, mas sem Home Broker e sem Tesouro Direto. Já o PicPay somava dois milhões de clientes menores de 18 anos em outubro de 2024, quando contou que 89% das transações dos jovens passavam pelo Pix e que testava uma função de investimentos voltada aos pais.

Onde o dinheiro do menor rende em cada conta

Conta Para quem Investimento do menor
XP (Conta Menor) Menores de 18 anos com CPF, sem idade mínima Renda fixa e ações na B3, sem derivativos
Nubank 6 a 17 anos Caixinhas em RDB a 100% do CDI
Itaú Personnalité (Conta Filhos) 8 a 17 anos Cofrinhos a 100% do CDI

Recursos descritos pelas próprias instituições. Fontes: Nubank, Let’s Money e comunicado da XP.

Bolsa ainda é rara entre os brasileiros

Para justificar o produto, a XP recorre ao levantamento anual da Anbima sobre o comportamento de quem poupa. Pelos números citados no comunicado, a média de idade de quem aplica dinheiro no país é 43 anos, e 21% dos brasileiros relatam ter passado por alguma formação em finanças pessoais, seja aula, palestra ou curso. A 9ª edição do estudo, feita com o Datafolha sobre a população de 16 anos ou mais, mostra que 36% da população tem algum investimento, mas apenas 2% têm ações na bolsa, abaixo dos 3% de 2024.

Anbima · o investidor brasileiro

Ações na bolsa estão com só 2% dos brasileiros

Raio X do Investidor Brasileiro, população de 16 anos ou mais

Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima com o Datafolha, sobre a população de 16 anos ou mais: 2% dos brasileiros têm ações na bolsa, ante 3% em 2024; 36% da população tem algum investimento financeiro; a idade média do investidor brasileiro é de 43 anos.

Pesquisa anual da Anbima feita com o Datafolha. Fonte: Anbima e Datafolha. Arte: Let’s Money.

O que observar

A pergunta é se o acesso à bolsa muda o uso que crianças e adolescentes fazem dessas contas. No número de uso que um dos pares divulgou em 2024, quase nove em cada dez transações dos jovens eram Pix, ou seja, a conta servia sobretudo para pagar.

Para corretoras, a conta do filho pode virar porta de entrada de um cliente que só chegaria à plataforma muitos anos depois, num país em que o investidor tem em média 43 anos. O lançamento, porém, não veio com meta de adesão nem com número de contas abertas, e ainda não está claro o que acontece com a carteira quando o titular completa 18 anos.

Fontes: Anbima • Nubank • Inter • Mercado&Consumo • Let’s Money • Let’s Money

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