
Entrar no mercado global de pagamentos hoje exige mais do que escala e integração com bandeiras. Exige inteligência de dados, automação e capacidade de conversão. É nessa tese que aposta a PagAmerican, startup fundada por brasileiros e sediada nos Estados Unidos, que começou a operar em dezembro e já mira uma meta ambiciosa: atingir R$ 50 milhões em receita ainda em 2026.
A empresa atua com soluções globais de pagamentos para e-commerces e nasce em um mercado disputado por plataformas como Shopify e Hotmart. A diferença, segundo os fundadores, está na verticalização da oferta e no uso intensivo de inteligência artificial como camada central do produto. No primeiro mês de operação, a PagAmerican registrou US$ 233 mil em receita, cerca de R$ 1,2 milhão.
Fundada de forma 100% bootstrapped, a startup optou por validar o produto antes de buscar capital externo. “Recebemos propostas de investidores, mas decidimos começar sem aporte para validar o product market fit”, afirmou Gabriel Aguiar, CEO da companhia. Segundo ele, com a validação inicial concluída, a empresa agora se prepara para acelerar a tração comercial.
Pagamentos, IA e operação internacional integrada
Embora tenha iniciado as operações recentemente, a PagAmerican começou a ser estruturada em março de 2025, com o desenvolvimento da plataforma do zero. Após meses de construção, a startup iniciou testes com clientes próximos utilizando um MVP, período em que validou o modelo de negócio e os primeiros fluxos de receita.
Na prática, a plataforma permite que empreendedores brasileiros vendam internacionalmente sem abrir empresa fora do país. O processo começa com um onboarding que avalia a categoria dos produtos e integra toda a cadeia operacional, da fábrica à logística e ao pagamento.
O diferencial está nos recursos baseados em IA. A solução inclui ferramentas de remarketing para recuperação de carrinhos abandonados, um checkout inteligente que ajusta ofertas em tempo real para aumentar a conversão e um sistema avançado de analytics, voltado a apoiar decisões comerciais e otimizar vendas globais.
“A fragmentação de ferramentas limita a escala do pequeno e médio lojista online. Soluções verticalizadas, integradas ao pagamento e à base de clientes, geram mais eficiência e decisões mais inteligentes”, disse Aguiar. Para ele, trata-se de um problema global ainda pouco endereçado pelas grandes plataformas de e-commerce, segundo o “Startups“.
Foco inicial e próximos passos da Startup
A PagAmerican se prepara agora para lançar a versão 1.0 do produto, prevista para o dia 26 de janeiro, com melhorias nos agentes de IA, design e funcionalidades da plataforma. Os primeiros clientes são, majoritariamente, marcas brasileiras já atuantes no mercado internacional, especialmente nos segmentos de wellness e cosméticos, embora a empresa afirme não ter restrições setoriais no médio prazo.
O time fundador reúne experiência nos mercados financeiro, tecnológico e de e-commerce global. Além de Aguiar, que passou por instituições como Citi e Vinci Compass, a startup conta com Felipe Ferreira, sócio e CRO, com histórico em private equity, venture capital e e-commerce internacional, e Elton Cipriano, sócio e CPO, com atuação em marketing, produto e desenvolvimento de marcas digitais.
Ao apostar em IA, verticalização e operação cross-border integrada, a PagAmerican entra em um território cada vez mais competitivo, onde pagamento deixa de ser commodity e passa a ser motor de conversão e inteligência comercial. O desafio agora será escalar rápido sem perder eficiência, exatamente o tipo de problema que a startup diz ter nascido para resolver.