
A intensificação da guerra do delivery em São Paulo está acelerando os planos de expansão da Vammo, empresa de locação por assinatura de motos elétricas voltada a entregadores. Criada em 2022 por ex-executivos do Rappi e da Tesla, a startup aposta no aumento estrutural da demanda por motoboys, impulsionada pela disputa entre plataformas de entrega e pela regulamentação do mototáxi, para escalar sua operação nos próximos dois anos.
A estratégia envolve quadruplicar a frota, que deve saltar de 4,5 mil para cerca de 18 mil motos até 2026, mantendo taxa de utilização acima de 99%. Paralelamente, a Vammo planeja mais que dobrar a rede de estações de troca de baterias, passando das atuais 100 para 500 unidades na capital paulista até o fim do período.
O modelo da empresa é baseado em assinatura, com planos semanais a partir de R$ 179, variando conforme a quilometragem. A proposta é reduzir o custo total de propriedade para o entregador ao eliminar despesas como IPVA, licenciamento, seguro e manutenção, uma diferença relevante frente às motos a combustão, predominantes no setor.
Frota elétrica como ativo escalável da Vammo
Ao contrário de plataformas de delivery, a Vammo atua como provedora de infraestrutura física, tratando a frota como um ativo financeiro escalável. A lógica se assemelha a modelos de asset-as-a-service, nos quais o crescimento depende de capex, eficiência operacional e alta taxa de utilização.
A principal concorrente no segmento é a Mottu, que também opera com locação de motos, mas prioriza veículos a combustão após reduzir a expansão de elétricos por questões de custo. A aposta da Vammo é que, no longo prazo, o elétrico gere maior eficiência econômica para o entregador e previsibilidade para o operador da frota.
Para sustentar a expansão, a empresa iniciou em 2026 a montagem completa das motos no Brasil, movimento que busca reduzir custos logísticos e aumentar o controle da cadeia produtiva. As baterias, por enquanto, seguem sendo importadas da China, segundo informações do “Pipeline“.
Infraestrutura de baterias e capilaridade urbana
Outro pilar da estratégia é a expansão da rede de troca de baterias, elemento central do modelo operacional. Em vez de recarga prolongada, o motociclista substitui as duas baterias em cerca de 30 minutos, em pontos próprios ou parceiros localizados em áreas de alta circulação, como postos de combustíveis, padarias e dark kitchens.
Segundo executivos da empresa, a expansão prioriza regiões periféricas da cidade, onde se concentra a maior parte dos entregadores. A meta é aumentar a densidade da rede, reduzindo tempo ocioso e elevando a eficiência da frota.
Capital, P&D e próximos passos
Capitalizada após levantar US$ 45 milhões em uma rodada Série B, a Vammo também investe em pesquisa e desenvolvimento. Entre os projetos em estudo está um modelo híbrido flex, que combine propulsão elétrica com etanol. O desenvolvimento deve levar de dois a três anos, com os primeiros resultados esperados a partir do fim de 2026.
A leitura da companhia é que a guerra do delivery não é um fenômeno conjuntural, mas um movimento estrutural das grandes cidades. Nesse contexto, quem controla a frota, e não apenas o aplicativo, passa a ocupar uma posição estratégica na cadeia de valor.
Ao acelerar a expansão em meio à disputa entre plataformas de entrega, a Vammo aposta que mobilidade como serviço, assinatura e ativos elétricos serão cada vez mais centrais na economia urbana do delivery.