A mexicana Kavak, que revende carros seminovos, passou a vender seguro auto com marca própria e fez do Brasil o primeiro mercado da Kavak Seguros. O produto, operado em white label pela Split Risk, sai nas lojas paulistas da empresa e dispensa vistoria e consulta a score de crédito.
Até aqui, quem comprava um carro na Kavak tinha à disposição apólices de parceiros; agora o seguro da casa vira a única opção dentro da plataforma. Segundo o NeoFeed, que entrevistou José Ribeiro, da Kavak, a operação ficou de pé em menos de 60 dias. O teste arrancou em agosto em Barueri (SP) e agora se estende às duas outras lojas paulistas. A venda fica restrita às lojas próprias, mas a empresa não descarta oferecer a apólice fora delas no médio prazo.
Kavak · do crédito ao seguro
Depois do financiamento, o seguro de marca própria entra na compra do seminovo
Marcos da Kavak; o último é previsão da empresa
Datas segundo o NeoFeed. A abertura das lojas é previsão da Kavak. Fonte: NeoFeed (09/10/2026). Arte: Let’s Money.
Como a Kavak Seguros é contratada
A cotação pede modelo e ano do carro, CEP do motorista e o uso principal do veículo. Ficam de fora o score e o histórico do condutor, e a vistoria sai do fluxo porque o estoque já passou por recondicionamento e inspeção da Kavak. Os planos de entrada cobrem perda total ou roubo e permitem somar outras proteções; a lista prevista inclui colisão, furto, incêndio e assistência técnica 24 horas.
O que a apólice pede e o que dispensa
Etapa
Como funciona
Dados pedidos
Modelo e ano do carro, CEP do motorista, uso principal do veículo
O que não entra
Score de crédito e histórico do condutor
Vistoria
Dispensada: o carro já passou pela inspeção da Kavak
Quem opera
Split Risk, com infraestrutura, atendimento e assistência
Regras de contratação descritas pela Kavak. Fonte: NeoFeed
A decisão de deixar o score de fora veio da experiência da financeira do grupo. “Temos um músculo gigante de análise de crédito na nossa financeira, que nos trouxe um aprendizado de quais variáveis são importantes”, disse Ribeiro ao NeoFeed.
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Uma seguradora digital e uma frota pouco protegida
A Split Risk, focada no ramo Auto, deixou o sandbox da Susep em dezembro de 2025, com a licença convertida em definitiva, segundo o Sonho Seguro. Ela vende por MGAs, agências que operam produtos em nome da seguradora, e diz ter atingido em 2025 perto de 80 mil clientes com apólice recorrente.
Pelos dados da CNseg, 71% da frota brasileira roda sem seguro, e o país vendeu 18.508.929 usados e seminovos em 2025, recorde da série da Fenauto, iniciada em 2011. Nas contas da Kavak, a penetração do seguro no seminovo fica de 30% a 40% abaixo da do zero quilômetro. Ribeiro não abriu quantas apólices saíram no piloto; disse que a adesão ficou bem acima da média do setor.
O seguro se soma a financiamento, documentação, garantias, manutenção e crédito garantido pelo próprio veículo. O braço financeiro, criado em 2020 no México e trazido ao Brasil em 2021, já financiou mais de US$ 1 bilhão somando os países. “A compra ou venda de um carro é um negócio muito esporádico”, disse Ribeiro.
O lançamento vem depois de uma rodada de US$ 300 milhões em fevereiro de 2026, coliderada pela WCM e pela Andreessen Horowitz, que pôs US$ 200 milhões. Fundada em 2016, a Kavak acumula captações acima de US$ 1,8 bilhão; em 2025, somou por volta de 120 mil transações no mundo, 40% acima de 2024. No Brasil, emprega perto de 400 pessoas, tem estoque acima de 1,4 mil carros e deve inaugurar mais duas lojas em São Paulo até dezembro.
Precificar sem score nem histórico do condutor é aposta de subscrição. A pergunta é como a sinistralidade se comporta fora do piloto, e se o preço se mantém na renovação, quando o cliente já não está na loja. Se a oferta sair da rede própria, plataformas de seminovos passam a disputar a apólice com corretores e com seguradoras ligadas a bancos que financiam o carro.