A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) atualizou a sua Taxonomia de Finanças Sustentáveis, alinhando o modelo pioneiro desenvolvido pela entidade há mais de uma década à Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), instituída no fim de 2025. A revisão amplia critérios de classificação e dá mais precisão ao direcionamento de recursos para atividades elegíveis.
O novo modelo incorpora, de forma integrada, critérios que medem o impacto positivo das atividades econômicas e a sua exposição aos riscos ambientais e climáticos. Com isso, as instituições ganham referência setorial e mais precisão para direcionar recursos a projetos voltados à transição para uma economia sustentável.
Febraban · Finanças sustentáveis
Como a taxonomia classifica as operações
Três modalidades de classificação e a base da metodologia
Modalidade 1
Contribuição ambiental, climática e/ou social das operações
Modalidade 2
Exposição às mudanças climáticas
Modalidade 3
Exposição aos riscos ambientais
Base da metodologia
CNAE, alinhada à TSB, instituída no fim de 2025
Fonte: Febraban. Arte: Let’s Money.
Escopo maior e interoperabilidade com a TSB
Entre os principais destaques da atualização estão a ampliação do escopo da taxonomia, o alinhamento às principais referências internacionais e a maior interoperabilidade com a TSB, favorecendo maior consistência, comparabilidade e transparência na classificação das operações financeiras.
A metodologia utiliza a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e contempla linhas e subprogramas públicos federais e estaduais elegíveis. O formato permite ainda que cada banco adicione critérios complementares, alinhados às suas estratégias internas.
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Três modalidades de classificação
A taxonomia está estruturada em três modalidades: contribuição ambiental, climática e/ou social das operações; exposição às mudanças climáticas; e exposição aos riscos ambientais. Essas classificações permitem que as instituições financeiras analisem suas carteiras sob diferentes perspectivas, apoiando a definição de estratégias, metas e instrumentos voltados ao financiamento da transição sustentável e ao fortalecimento da gestão de riscos.
“Pioneira no país, a taxonomia da Febraban continua sendo uma referência para o desenvolvimento dos frameworks de finanças sustentáveis das instituições financeiras, que podem incorporar critérios adicionais de acordo com suas políticas e estratégias. O número de bancos que estabelecem metas para ampliar o financiamento de atividades com benefícios ambientais, climáticos e sociais tem crescido de forma consistente nos últimos anos e reafirma o compromisso dos bancos com a agenda socioambiental e climática”, afirma Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban.
Instrumento para mobilizar recursos e gerir riscos
Segundo o diretor, ao alinhar sua taxonomia à Taxonomia Sustentável Brasileira e às principais referências internacionais, a Febraban oferece ao setor bancário um instrumento mais robusto, transparente e interoperável para apoiar a mobilização de recursos destinados à transição para uma economia de baixo carbono e mais resiliente. Ao mesmo tempo, contribui para o fortalecimento da gestão dos riscos socioambientais e climáticos pelas instituições financeiras.
A atualização complementa um ecossistema mais amplo de políticas públicas e de mercado, integrando-se a frentes como o programa Eco Invest Brasil, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), além de iniciativas voltadas à precificação de carbono. Com esse movimento, a Febraban reforça o compromisso do setor bancário na construção de um sistema financeiro preparado para sustentar um modelo de desenvolvimento inclusivo e de baixo carbono no Brasil.
O que observar
A atualização interessa a bancos que já classificam carteiras por critério socioambiental e a quem financia projetos de transição, de cooperativas de crédito a bancos de desenvolvimento. Vale acompanhar quantas instituições adotam a nova versão nos relatórios de sustentabilidade, quais critérios complementares cada banco acrescenta e como a classificação conversa com a TSB e com o mercado regulado de carbono previsto no SBCE. Algumas instituições já divulgam a fatia sustentável do crédito liberado.