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Fintechs europeias criam consórcio por stablecoin em euro

Com a eToro entre os 11 participantes, coalizão quer ampliar o uso do EURØP; stablecoins em euro somam menos de 1% do valor de mercado do setor.

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· 4 min

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Um grupo de empresas europeias de finanças digitais, com a adesão da eToro, listada na Nasdaq, anunciou em 5 de outubro o Eurøpe Consortium, coalizão criada para acelerar o uso de stablecoin em euro. O ponto de partida é um desequilíbrio: pelo comunicado, cerca de 99% do valor de mercado das stablecoins está atrelado ao dólar, e menos de 1% ao euro.

Stablecoins · peso do dólar e do euro

Quase todo o valor em stablecoins está atrelado ao dólar

Fatia aproximada do valor de mercado por moeda e relação dólar x euro onchain, segundo o consórcio

Segundo o comunicado do Eurøpe Consortium, cerca de 99% do valor de mercado das stablecoins está denominado em dólar e menos de 1% em euro. Viktor Fischer, da RockawayX, afirma que onchain o dólar supera o euro em mais de 300 para 1.

Números do comunicado e da fala do CEO da RockawayX, não apurados de forma independente. Fonte: Finextra; Schuman Financial. Arte: Let’s Money.

O primeiro programa do grupo gira em torno do EURØP, token de dinheiro eletrônico em euro desenvolvido pela Schuman Financial. O token já está disponível em seis redes públicas (Solana, Ethereum, XRP Ledger, Polygon, Plasma e Avalanche). Segundo a página da própria Schuman, o EURØP sai sob o MiCA, o regulamento europeu de criptoativos, por uma instituição de moeda eletrônica autorizada pela ACPR, supervisora prudencial da França, e guarda as reservas no Société Générale e em outras instituições de crédito nomeadas.

Quem entra na coalizão da stablecoin em euro

Além de Schuman e eToro, a lista divulgada traz Coinhouse, Coinmerce, SwissBorg, LCX, BLOX, Assetera, DFNS, RockawayX e XRPL Commons, 11 nomes no total. Cada membro segue com as próprias decisões comerciais, técnicas e regulatórias e apoia o token conforme a sua função: listagem, integração, distribuição ou infraestrutura.

As quatro frentes de trabalho do consórcio

Frente O que os participantes pretendem fazer
Acesso e distribuição Levar stablecoins reguladas em euro às plataformas que o cliente europeu já usa
Infraestrutura e integrações Conectar carteiras, plataformas de negociação, infraestrutura de ativos tokenizados e redes blockchain
Aplicações práticas Criar casos de uso no varejo, no segmento institucional, em pagamentos e em mercados tokenizados
Desenvolvimento de mercado Educação, comunicação e contato com quem pode aderir

Frentes descritas no comunicado de lançamento, como intenção dos participantes. Fonte: Finextra

Os participantes se apresentam como a primeira coalizão europeia entre empresas montada em torno de uma stablecoin em euro já emitida e regulada, e dizem que pretendem atrair outras instituições financeiras, plataformas de negociação e de distribuição, fintechs e provedores de infraestrutura.

“A UE estabeleceu um marco regulatório para stablecoins denominadas em euro, mas a regulação sozinha não cria um mercado que funcione”, disse Martin Bruncko, fundador e CEO da Schuman Financial. Pela eToro, Ouriel Ohayon, Head of Crypto da empresa, afirmou que, “ao entrar no Eurøpe Consortium, a eToro ajuda a construir a liquidez, a distribuição e a utilidade necessárias para fazer do euro uma moeda de primeira classe on-chain”.

A corrida pelo euro onchain

Viktor Fischer, fundador e CEO da RockawayX, investidora da Schuman Financial, pôs a distância em números. “Onchain, o dólar supera o euro em mais de 300 para 1, o que faz pouco sentido para a segunda moeda de reserva do mundo, que responde por 20% das reservas globais de câmbio”, disse. Para ele, “com o MiCA em vigor”, os próximos dois anos devem ser “uma corrida para construir liquidez e distribuição em euro”.

Os bancos correm em paralelo. Em fevereiro de 2026, o Let’s Money mostrou que o BBVA entrou na Qivalis, consórcio de bancos europeus que prepara a própria moeda digital atrelada ao euro.

Do lado do banco central, a leitura é outra. Em maio de 2026, a presidente do BCE, Christine Lagarde, descartou as stablecoins em euro como caminho para fortalecer a moeda.

O que observar

O desenho reúne emissão, distribuição, infraestrutura e redes blockchain em torno de um token que já existe, e cada membro conserva a palavra final sobre o que faz. Vale acompanhar se listagens e integrações se convertem em liquidez de fato, que é o gargalo que os próprios participantes apontam, ou se ficam no plano do anúncio.

A outra pergunta é de fragmentação. Com coalizões de fintechs e de bancos tocando projetos separados, o mercado pode ganhar várias stablecoins em euro disputando uma fatia que hoje não chega a 1%. O teste será a interoperabilidade entre elas.

Fontes: Finextra • Schuman Financial • Let’s Money: BBVA entra em consórcio europeu de stablecoin em euro • Let’s Money: BCE descarta stablecoins como rota para o euro global

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