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Fintech mexicana Orbi terá cartão Mastercard ligado a cripto

Cliente vai escolher na hora da compra se paga com moeda comum ou com saldo em cripto; o lojista recebe em moeda tradicional, e a SoFi cuida da emissão.

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· 3 min

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Yalcin Sonat / Shutterstock.com

A Orbi, fintech do México, vai oferecer aos clientes um cartão Mastercard ligado ao saldo que eles guardam em cripto. No momento do pagamento, o usuário decide se usa moeda tradicional ou cripto, e o comerciante recebe sempre em moeda fiduciária. A SoFi Tech Solutions, antiga Galileo, cuida da emissão. A parceria foi anunciada em 8 de outubro, sem data para o cartão chegar aos clientes.

Quem faz o quê no cartão da Orbi

Cabe à SoFi Tech Solutions o patrocínio de BIN (a faixa numérica que identifica o emissor do cartão), além da emissão em si, da autorização de cada transação, do processamento e do compliance. O programa é da Orbi.

Como o cartão vai funcionar, etapa por etapa

Etapa Quem responde
Patrocínio de BIN, emissão, autorização, processamento e compliance SoFi Tech Solutions
Compras e saques em caixas eletrônicos no México Rede doméstica da Mastercard no país (MxDS)
Troca do saldo em cripto por moeda tradicional Feita no ponto de venda; o lojista recebe moeda fiduciária

Desenho descrito pelas empresas. Fontes: PYMNTS e FX News Group

Haverá versões física e virtual do cartão, segundo a reprodução do comunicado publicada pela FX News Group. A ligação da SoFi Tech Solutions com a rede doméstica da Mastercard no país, a Mexico Domestic Switch (MxDS), é o que vai sustentar compras e retiradas de dinheiro em caixas eletrônicos. “Estamos construindo uma experiência que transforma dólares digitais em poder de compra no mundo real”, disse Leonardo Perez, da Orbi, em tradução livre.

A aposta nos dólares digitais

O argumento das empresas passa por remessas. “O México é um dos maiores mercados de remessas do mundo, e as stablecoins estão se tornando um meio cada vez mais importante de mover dinheiro pelas suas fronteiras”, disse Kathleen Pierce-Gilmore, presidente da SoFi Tech Solutions, em tradução livre. Segundo ela, a parceria com Orbi e Mastercard está “dando às pessoas no México um jeito confiável de receber, guardar e gastar dólares digitais”.

O comunicado se apoia num dado da Bitso: em 2025, as stablecoins foram 40% das compras de cripto feitas pelos usuários do app no México, na Argentina, no Brasil e na Colômbia, contra 18% do bitcoin. Foi a primeira vez que as stablecoins ficaram à frente nesse levantamento regional.

Bitso · compras de cripto dos usuários em 2025

Pela primeira vez, as stablecoins passaram o bitcoin nas compras dos usuários da Bitso

Fatia de cada ativo nas compras de cripto feitas por usuários da Bitso no México, na Argentina, no Brasil e na Colômbia

Dado da Bitso citado no comunicado da parceria entre Orbi, SoFi Tech Solutions e Mastercard: em 2025, as stablecoins responderam por 40% das compras de cripto feitas por usuários da Bitso no México, na Argentina, no Brasil e na Colômbia, contra 18% do bitcoin. Foi a primeira vez que as stablecoins superaram o bitcoin nesse recorte regional. Fonte: PYMNTS.

Fonte: dado da Bitso citado no comunicado, via PYMNTS (08/10/2026). Arte: Let’s Money.

A stablecoin da própria SoFi, a SoFiUSD, aparece no comunicado como a peça que juntou os componentes do programa. O texto promete outros usos com stablecoin no futuro, sem detalhar quais. Em setembro, o grupo já tinha passado a liquidar cartões na rede da Mastercard com stablecoin, nos EUA. Pelo lado da bandeira, Silvana Hernández, da Mastercard, disse que a parceria habilita a liquidação em stablecoin e aproxima os ativos digitais das formas de pagar que o consumidor já conhece.

Outra bandeira segue caminho parecido. A Visa e a fintech Reap vão levar cartões com stablecoin a mais de uma centena de mercados. Uma pesquisa da PYMNTS Intelligence, citada na mesma reportagem sobre a Orbi, apontou que 71% dos detentores de stablecoin usariam um cartão de débito vinculado para gastar esses ativos.

O que observar

O primeiro ponto é o calendário. O anúncio não diz quando os clientes recebem o cartão, nem em que escala. Também não há informação sobre custo da conversão no ponto de venda, item que pesa na comparação com pagar direto em moeda local.

A outra pergunta é de uso. A pesquisa citada pela PYMNTS mostra interesse do consumidor em gastar cripto, com aceitação, confiança e experiência de pagamento irregular ainda limitando a escolha. Vale acompanhar se emissores que ligam cartão a saldo em stablecoin conseguem transformar o dinheiro de remessas em gasto no varejo, ou se o saldo continua sendo, sobretudo, reserva em dólar.

Fontes: PYMNTS • FX News Group

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