Visa e Reap vão levar cartões com stablecoin a 100+ mercados
Parceria anunciada pela Visa e pela fintech Reap, de Hong Kong, prevê cartões de crédito com stablecoin em mais de 100 mercados, incluindo Europa e África.
A Visa e a Reap, fintech de Hong Kong especializada em infraestrutura com stablecoins, anunciaram na quarta-feira (23) uma colaboração estratégica para levar cartões de crédito Visa com stablecoin a mais de 100 mercados. A emissão da Reap, hoje restrita à Ásia e à América Latina, vai se estender à Europa, ao Oriente Médio e à África, segundo o comunicado das duas empresas.
Stablecoin nos cartões Visa, em números
Indicador
Valor
Mercados previstos na parceria Reap e Visa
Mais de 100
Liquidação global com stablecoins na Visa (ritmo anual)
US$ 20 bilhões, 15 vezes mais em um ano
Programas de cartão com stablecoin no mundo
Mais de 160
Pontos de venda que aceitam Visa
Mais de 175 milhões
Dados informados por Reap e Visa no comunicado de 23 de setembro de 2026. Fonte: Reap
Como o cartão com stablecoin da Reap funciona
No desenho descrito pelas empresas, a Reap faz o papel de emissora e processadora. Ela cuida da autorização junto à bandeira, do processamento das transações, das regras de compliance e da operação do dia a dia, e o parceiro fica livre para se ocupar do produto. Quem pode contratar são fintechs, empresas e plataformas que queiram oferecer crédito com lastro em moeda digital.
A stablecoin entra em três pontos do ciclo. Ela abastece o limite e o controle de gastos, pode ficar retida como garantia e também serve para quitar a fatura. O comunicado aponta três usos principais: tesouraria de empresas com despesas em outros países, pagamentos a fornecedores e repasses feitos por plataformas, e cartões com marca própria dentro de plataformas B2B.
A Reap já integra o programa da Visa de liquidação em stablecoin na Ásia-Pacífico e acerta o que deve à bandeira direto em moeda digital, via blockchain, inclusive à noite e nos fins de semana. Pela descrição do comunicado, esse arranjo diminui o volume de saldo antecipado que emissores costumam deixar parado para cobrir as transações. As duas empresas também vão estudar novas rotas de liquidação, entre elas pagamentos disparados por agentes de IA dentro de limites fixados pelo usuário.
Do lado da Visa, o movimento se soma a outros. A bandeira informa liquidar stablecoins num ritmo anual de US$ 20 bilhões, 15 vezes o de um ano antes, e contar com mais de 160 programas de cartão com stablecoin. A Artemis Research, citada no texto, estima que esse segmento cresce 106% ao ano, contra 5% dos pagamentos entre pessoas. Em outra frente, a Visa assinou acordo de stablecoin com um grupo coreano.
“Os programas de cartão vinculados a stablecoins estão entrando em uma nova etapa e fase de escala e adoção”, disse Stephen Karpin, presidente da Visa Asia Pacific, em tradução livre. “As stablecoins abriram a porta, mas o que destrava de verdade é o caminho de infraestrutura em conformidade que isso cria para qualquer empresa, em qualquer lugar do mundo, emitir cartões e escalar por meio de uma única parceria”, afirmou Daren Guo, cofundador da Reap, também em tradução livre.
O que observar
O ponto sensível está na promessa de operar sob a regra local de cada mercado. Com mais de 100 destinos no plano, vale acompanhar em que ritmo emissores terceirizados conseguem licenças e parceiros bancários fora da Ásia, e quais regiões entram primeiro. A outra pergunta é de liquidez: se a liquidação contínua em stablecoin reduzir de fato o capital parado dos emissores, o custo de montar um programa de cartão pode cair para fintechs menores.
Também cabe observar a disputa entre bandeiras nesse segmento. A concorrência já testa modelos parecidos, como a liquidação de cartões em stablecoin nos EUA, e a comparação de taxas e prazos entre as redes deve pesar na escolha de quem emite.