Visa e Mastercard dão aval à Zoop, do iFood, como adquirente
Zoop, fintech do iFood, tem aval de Mastercard e Visa para ser adquirente e prevê fechar integrações até o 1º semestre de 2027, com foco em marketplaces.
O aval saiu, mas falta concluir a integração com cada bandeira
Datas de integração são expectativa, não operação iniciada
Etapas pendentes em tracejado. Fonte: Valor (03/11/2026). Arte: Let’s Money.
O que muda na operação da Zoop
Até aqui, a empresa trabalha como subcredenciadora, também chamada de subadquirente, com outra adquirente entre ela e as bandeiras. Terminadas as integrações, soma a esse papel o de credenciadora, com ligação direta a Mastercard e Visa. A licença que já tem no BC, de instituição de pagamento e na modalidade de emissor de moeda eletrônica, está em nome da iFood Pago.
O novo papel abrirá ainda a captura de vale-alimentação e vale-refeição em arranjos abertos. Nos fechados, cada conexão terá de ser feita à parte, e a operação segue no modelo de subcredenciadora até lá.
“A gente vira uma adquirente, em que a gente tem uma ação direta com as bandeiras, e a gente consegue trazer uma tranquilidade regulatória para os nossos clientes que são marketplace”, disse Cesario Martins, CEO da Zoop, ao Valor.
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Marketplaces são o primeiro alvo
O foco inicial recai sobre plataformas que precisam se ajustar à nova regra do BC para adquirentes. A Resolução BCB nº 522, de novembro de 2025, endureceu as exigências de gestão de risco e de liquidação nos arranjos de pagamento e levou as subcredenciadoras para dentro da liquidação centralizada. Pela leitura de Martins, o marketplace terá de reorganizar os fluxos para só movimentar, nessa etapa, dinheiro do próprio negócio.
Os dois caminhos que a Zoop desenha para marketplaces
Caminho
Papel do marketplace
Base na Zoop
Split de pagamentos
Dispensa o papel de subcredenciadora; a fintech reparte e liquida os valores
Licença de instituição de pagamento
Infraestrutura da Zoop
Segue como subcredenciadora, dentro de conta regulada
“Muitos clientes marketplaces precisam de uma solução, porque percebem que, do jeito que estava antes, vão ter que mudar”, afirmou o executivo à Startups. Na lista de clientes desse grupo, ele menciona Decolar, Sympla, OLX e o iFood.
A projeção de volume e o papel dos agentes de IA
O TPV (volume total de pagamentos) dos últimos 12 meses ficou acima de R$ 155 bilhões, e a Zoop espera subir pelo menos 50% em 2027, puxada por novos marketplaces, segundo o Valor.
Martins credita a agentes de IA parte do ritmo do projeto: a estruturação levou seis meses, ante até 18 meses no caminho tradicional, pela conta da empresa. “A Zoop vai ser a primeira adquirente do Brasil construída por agentes de IA”, afirmou. Ele espera que os pagamentos agênticos, nos quais a IA compra em nome do consumidor, ganhem com a nova posição.
O que observar
O primeiro teste é de calendário. A autorização das bandeiras só vira operação quando as integrações terminarem, e as datas ainda são expectativa. Vale acompanhar se o cronograma se sustenta e em que ritmo o volume migra para a via própria, que nasce como alternativa entre várias.
Para marketplaces, a pergunta é de desenho: abrir mão do papel de subcredenciador e usar split, ou manter a função sobre a infraestrutura de terceiro. A escolha pode mexer em custo de compliance, no fluxo de liquidação e na dependência de fornecedor. Também fica em aberto como adquirentes que atendem esse público vão reagir a um novo credenciador nascido num ecossistema de delivery.