O Goldman Sachs restringiu aos engenheiros o uso de ferramentas de IA para programar, como o Claude Code, da Anthropic, e o GitHub, da Microsoft, segundo a Bloomberg. Traders, bankers e outros funcionários do banco de investimento, que tinham acesso a esses recursos havia meses, ficam de fora.
O que muda nas mesas de operação
A regra está numa orientação interna publicada em outubro de 2026, que a Bloomberg leu, conforme o resumo da PYMNTS. A troca de política desagradou parte dos traders. Pelo relato da Finextra, eles recorriam a esses assistentes para acompanhar o fluxo de ordens de clientes e para simular variações de mercado e de posições. A PYMNTS acrescenta outro uso: a produção de textos e de materiais gráficos.
O banco tratou a decisão como desfecho de um teste. “Disponibilizamos certas ferramentas de IA para nosso pessoal para determinar os melhores casos de uso nas diferentes partes da empresa”, disse Nick Carcaterra, porta-voz do Goldman, à Bloomberg, em tradução livre. “Depois de um período de experimentação em que avaliamos diversos fatores, incluindo produtividade e gestão de risco, nós as colocamos nas mãos de quem está mais bem preparado para aproveitá-las no longo prazo.”
Do entusiasmo com o vibe coding à cautela
A restrição contrasta com o discurso do próprio banco poucos meses antes. Em julho de 2026, o CIO Marco Argenti elogiou o vibe coding, em que quem não é do time técnico cria software com ajuda da IA. Na descrição dele, funcionários de áreas não técnicas montavam soluções e depois as entregavam a algum dos 12 mil engenheiros do Goldman, que as aperfeiçoavam.
Em agosto de 2026 veio um sinal de outra direção. Um sócio do Goldman que lidera um dos principais projetos de IA da instituição alertou que a tecnologia pode enfraquecer a capacidade de raciocínio dos bankers quando os profissionais dependem demais dela.
Goldman Sachs · IA para programar
Em 2026, o Goldman foi do elogio ao vibe coding à restrição
Marcos de 2026 sobre o uso de IA por funcionários fora da engenharia

Orientação interna vista pela Bloomberg. Fonte: Finextra; PYMNTS. Arte: Let’s Money.
O movimento acontece num setor que gasta milhões com IA e, ao mesmo tempo, tenta equacionar custo, produtividade e risco cibernético, conforme o relato da Bloomberg citado pela PYMNTS. No mesmo mês, o Barclays nomeou sua primeira chief AI officer e levou o tema à cúpula do banco britânico.
O que observar
A primeira questão é de fronteira. Com a programação com IA restrita à engenharia, as mesas de operação podem passar a depender de outra equipe para ferramentas que antes montavam sozinhas. Vale acompanhar se os bancos de investimento vão criar uma via intermediária, com ambientes controlados para usuários de negócio, ou se a separação entre quem opera e quem desenvolve volta a ser rígida.
A segunda é de governança. Código escrito por quem não é engenheiro levanta perguntas sobre revisão, teste e responsabilidade quando a ferramenta erra numa posição ou num relatório para cliente. A dúvida é como as instituições financeiras vão medir produtividade e risco nesses pilotos, e se outros grandes bancos vão adotar critérios parecidos depois de períodos de experimentação.
Fontes: Finextra • PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money