O Barclays escolheu Anita Tanna para ser sua primeira chief AI officer, posto que o banco britânico acaba de criar. Tanna deixa a função de group chief of staff (chefe de gabinete do grupo), exercida por quase três anos, e assume a frente de IA enquanto o banco prevê cortar 5 mil empregos com IA.
Carreira em vendas de ações e na cúpula do banco
A executiva está no Barclays desde 2021, segundo a FStech. Antes da chefia de gabinete, atuou com vendas de ações (equity sales) na área de banco de atacado e investimento do grupo. Antes de entrar no Barclays, trabalhou quase 12 anos no Citi, onde ocupou cargos seniores como head of equity sales, UK, e head of international sales.
Em post no LinkedIn, Tanna resumiu a agenda do cargo novo. “Vou me concentrar em acelerar a adoção em todo o grupo e em focar onde podemos destravar o maior valor, garantindo que continuemos a usar a IA de forma criteriosa e responsável”, afirmou, em tradução livre. Na mesma publicação, segundo a FStech, ela descreveu a tecnologia como peça crítica da estratégia do Barclays, com enorme potencial para mudar o atendimento a clientes.
A IA no meio da reestruturação
A troca de cadeira ocorre num momento de revisão de custos. O plano de reduzir 5 mil empregos foi divulgado junto com o resultado do terceiro trimestre. Em outubro, o banco também disse que vai ampliar o uso do Claude, agente de IA da Anthropic, com três objetivos declarados: acelerar o desenvolvimento de software, modernizar sistemas legados e ganhar eficiência operacional.
O Barclays não está sozinho ao levar a IA para a cúpula. Em 2026, outros bancos ampliaram o uso da tecnologia e criaram postos seniores para cuidar de supervisão e governança, de acordo com a FStech. Em março de 2026, o HSBC anunciou seu primeiro chief AI officer. Em maio de 2026, o Citigroup promoveu seu chief technology officer ao cargo de group head of AI.
Bancos globais · chefias de IA na cúpula
Em 2026, HSBC, Citigroup e Barclays nomearam chefes de IA
Nomeações e promoções para o comando de IA em 2026

Cargos citados no original em inglês. Fonte: Finextra; FStech. Arte: Let’s Money.
O que observar
A primeira pergunta é de desenho. Um cargo de IA no topo pode concentrar orçamento, escolha de fornecedores e governança dos modelos, ou funcionar como coordenação entre áreas de tecnologia e de negócio que seguem donas dos próprios projetos. Vale acompanhar qual dos dois formatos os bancos globais vão adotar, e quanto poder de decisão a nova função terá sobre a pauta de eficiência.
A segunda é de perfil. A função tem sido entregue tanto a executivos vindos da tecnologia quanto a gestores com trajetória em negócios. A dúvida é se a trajetória de negócio ajuda a destravar a adoção nas linhas de frente, e como o uso responsável da tecnologia será medido diante das metas de eficiência.
Fontes: Finextra • FStech • Let’s Money