Itaú anuncia compra da startup de IA NeoSpace por R$ 2,9 bi
Banco assinou acordo para ficar com todas as ações da startup de modelos fundacionais de IA, parceira há quase dois anos; operação depende do Cade e do BC.
O Itaú Unibanco assinou acordo para comprar a totalidade das ações da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve grandes modelos fundacionais de dados, por R$ 2,925 bilhões. A conclusão está sujeita às condições precedentes do contrato, entre elas as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil.
Com a compra, o banco reforça a estratégia de investir em pesquisa, desenvolvimento e aplicação de inteligência artificial para montar uma nova geração de soluções e serviços financeiros.
Uma parceria de quase dois anos
O negócio nasce de uma relação iniciada há quase dois anos. Nesse período, os dois lados criaram juntos soluções próprias de IA generativa em escala, aplicadas a crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. Esse trabalho mostrou o potencial de modelos especializados para entender contextos financeiros complexos.
Com a operação, o Itaú soma a especialização tecnológica da NeoSpace ao próprio conhecimento do setor, aos seus dados e à sua escala para ampliar a capacidade de criar modelos proprietários de inteligência artificial. Na visão do banco, a IA terá papel central na evolução dos serviços bancários.
“Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global. O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária, e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira. […] A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”, afirma Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco.
Itaú e NeoSpace · etapas da operação
Da parceria em IA ao acordo de R$ 2,925 bilhões, que ainda depende do Cade e do BC
Marcos da relação entre o banco e a startup de modelos fundacionais
NeoSpace segue autônoma, com Bruno Pierobon no comando
Fundada no Brasil, a NeoSpace trabalha com IA fundacional capaz de identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de informação, com modelos adaptados às particularidades de cada setor, incluindo o financeiro.
A tecnologia da startup já aparece em iniciativas conjuntas com o banco e deverá contribuir para a evolução da ia.i, plataforma de IA generativa do Itaú. Entre as possibilidades estão interações mais contextualizadas, orientações para uma gestão financeira mais consciente, crédito ajustado ao perfil de cada cliente e novas formas de apoiar o planejamento financeiro de pessoas e empresas, sempre observando princípios de segurança, privacidade e uso responsável de dados.
Gestão e operação da NeoSpace continuam autônomas. Bruno Pierobon permanece como CEO, e a operação prevê manter a equipe e a continuidade das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
“Construímos a NeoSpace com a convicção de que o Brasil tem capacidade de desenvolver inteligência artificial na fronteira tecnológica global. Nossa parceria com o Itaú nos permitiu avançar nessa ambição, aplicando modelos fundacionais a desafios reais do sistema financeiro e comprovando seu potencial em escala. […] Queremos contribuir para uma nova geração de inteligência artificial especializada, capaz de transformar a experiência financeira de milhões de pessoas”, afirma Bruno Pierobon, CEO da NeoSpace.
A aquisição dentro da estratégia de IA do banco
A compra se soma ao que o Itaú vem construindo em inteligência artificial nos últimos anos: investimento em capacidades e plataformas próprias, uso da tecnologia nas jornadas de clientes e colaboradores e pesquisa aplicada por meio do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi). O instituto atua com universidades e pesquisadores do Brasil e do exterior em IA, computação quântica, neurociência, robótica e realidade estendida.
O que observar
Para clientes de banco, o ponto a acompanhar é como os modelos fundacionais vão chegar ao dia a dia: atendimento mais contextualizado, orientação de gestão financeira e oferta de crédito ajustada ao perfil. Antes disso, a operação ainda precisa passar pelo Cade e pelo Banco Central, e a conclusão não tem data divulgada.