O setor de seguros tem fechado menos fusões e aquisições em 2026, mas com negócios maiores. Estudo da Acorn Advisory, boutique de M&A fundada em 2015 que já assessorou 30 transações, contou 16 operações no setor até 8 de outubro, ante 45 em todo o ano de 2025. O levantamento usa dados do TTR Data.
Considerando só os negócios com preço divulgado, o ticket mediano chegou a R$ 125 milhões em 2026, ante R$ 71 milhões em 2025.
De 45 para 16 negócios em seguros
A freada vem depois de um ano forte. As 45 operações de 2025 já significavam um salto de 50% em relação às 30 registradas em 2024. O pico da série continua em 2021, com 61 negócios.
Acorn Advisory · M&A no setor de seguros
Transações caem de 45 para 16 depois da alta de 2025
Número de fusões e aquisições no setor de seguros por ano; 2026 até 8 de outubro
*Dado parcial de 2026, até 8 de outubro. Fonte: estudo da Acorn Advisory com dados do TTR Data (21/10/2026). Arte: Let’s Money.
O seguro segue o desenho do M&A brasileiro como um todo. O país somou 593 transações na primeira metade de 2026, recuo de cerca de 35% sobre igual intervalo de 2025, ainda que o valor agregado tenha crescido.
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Selic pesa sobre o investidor financeiro
Mateus Lenza, vice-presidente da Acorn Advisory, aponta a Selic elevada durante quase todo o ano como um dos fatores centrais da retração. “A taxa começou o ano em 15% e só chegou a 13,75% em setembro. E os investidores financeiros, presentes em 27% das transações do setor desde 2017, são os primeiros a sentir esse custo”, explica.
Para ele, o setor perdeu velocidade, sem perder atratividade. “Em 2025 tivemos retomada em volume. Já 2026 é o ano da seletividade. O que sustentou a atividade foram negócios de maior porte, muitos deles voltados à compra de licenças”, completa.
Licença de seguradora vira atalho
Em agosto de 2026, o PicPay concluiu a compra da Kovr, operação de R$ 657,6 milhões pelo prospecto do IPO, semanas depois de ganhar o aval final do BC para o negócio. Em julho de 2026, a Sompo anunciou a aquisição da Fator Seguradora, com prêmios de R$ 796 milhões no ano de 2025.
Entre as corretoras, a Alper adquiriu a Montpolo em junho de 2026, com R$ 65 milhões em prêmios. É a 12ª compra da Alper dentro da unidade de Benefícios.
Operações de 2026 citadas no estudo
Comprador
Alvo
Porte
PicPay (concluída em agosto de 2026)
Kovr
operação de R$ 657,6 milhões
Sompo (anunciada em julho de 2026)
Fator Seguradora
R$ 796 milhões em prêmios em 2025
Alper (junho de 2026)
Montpolo (corretagem)
R$ 65 milhões em prêmios
Operações de 2026 citadas no estudo. Fonte: Acorn Advisory (21/10/2026)
Lenza resume o movimento: “Comprar uma seguradora já licenciada é mais rápido do que construir uma. Para quem quer entrar no setor, a licença virou atalho.”
Perspectiva para 2027
Os números de fundo do seguro continuam firmes. A CNseg prevê arrecadação de R$ 808 bilhões (+5,7%) neste ano, e estima 9% de expansão para a saúde suplementar. Duas normas mexem com as regras do jogo: a LC 213/2025 e a Lei 15.040/2024, que reescreve o contrato de seguro e está em vigor desde dezembro de 2025.
“A tese de consolidação segue intacta. […] a expectativa é que os processos adiados voltem à mesa ao longo de 2027. Quem estiver preparado, com a empresa organizada e uma tese clara, vai capturar as melhores oportunidades”, finaliza Lenza.
O que observar
O estudo interessa a seguradoras, corretoras, fintechs que querem distribuir seguro e fundos com tese no setor. Para quem pretende entrar, a compra de uma empresa já licenciada apareceu como o caminho dos negócios maiores de 2026. Vale acompanhar o ritmo de corte da Selic e se os processos adiados voltam à mesa em 2027. Os dados mensais da Susep sobre as receitas do setor ajudam a medir o tamanho do mercado em disputa.