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IA no créditoCrédito · Agentes de IA

Com IA, Deutsche Bank decide em minutos parte do crédito PJ

Em parte do crédito a empresas menores, a decisão do Deutsche Bank caiu de semanas para minutos com IA, contou à Reuters a executiva Marie-Jeanne Deverdun.

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· 3 min

TK Kurikawa / Shutterstock.com

O Deutsche Bank passou a usar inteligência artificial para acelerar decisões de crédito a empresas: em parte dos empréstimos a empresas menores, a decisão que levava semanas agora sai em minutos, contou à Reuters Marie-Jeanne Deverdun, executiva do banco alemão. Em algumas operações com multinacionais, o prazo caiu de meses para semanas.

Segundo Deverdun, o projeto entrou em operação no verão europeu. Ela atribui o ganho maior nas empresas menores à estrutura mais simples desses clientes. “Para as empresas menores, que são menos complicadas na configuração e na estrutura jurídica, estamos falando de semanas para minutos”, disse ela em entrevista à agência.

Onde a IA encurtou o crédito corporativo no Deutsche Bank

Tipo de cliente Antes Com IA Alcance
Empresas menores, de estrutura jurídica menos complexa semanas minutos parte dos empréstimos
Multinacionais meses semanas algumas decisões

Prazos de decisão relatados por Marie-Jeanne Deverdun, do Deutsche Bank. Fonte: Reuters

Por trás disso está a ADA, plataforma interna que o banco montou para criar, acompanhar e controlar agentes de IA. O nome homenageia Ada Lovelace, pioneira da computação. Pela descrição da executiva, a ferramenta deixa o Deutsche supervisionar o que os agentes fazem, administrar o risco e trocar de modelo de IA conforme a tecnologia muda.

Banco se prepara para conversar com agentes dos clientes

Segundo Deverdun, o banco também se prepara para um cenário em que os agentes de IA dele conversam direto com os agentes que os próprios clientes usam. “Já estamos nos preparando para uma economia agêntica, em que nossos agentes interagem com os agentes dos nossos clientes com responsabilidade clara e os controles certos”, afirmou.

A preparação ocorre enquanto os bancos entram na discussão, travada entre líderes de tecnologia, sobre se a IA avança rápido demais. Deverdun disse acompanhar esse debate com atenção e considerou as preocupações muito válidas. Para ela, “a gestão do risco cibernético é a minha prioridade número um”. “Estamos gastando muitos recursos e orçamento para continuar protegendo o banco dessas novas tecnologias e ameaças”, completou. Do outro lado do Atlântico, grandes bancos dos EUA começaram a barrar agentes de IA de terceiros dentro das contas de clientes, por receio de que agentes sofisticados prejudiquem o sistema bancário, relatou a Reuters.

O Deutsche prevê mais de 2,5 bilhões de euros (US$ 2,80 bilhões) em gasto adicional com tecnologia de 2026 a 2028; o total investido na área não é divulgado. Entre os concorrentes, o JPMorgan orça US$ 20 bilhões em tecnologia para 2026, e o Citigroup afirmou que a IA já desenvolve produtos a custo menor e até 40% mais rápido. O CEO Christian Sewing já disse que quer fazer do Deutsche um banco movido de fato a IA. Em 2015, o antecessor dele havia classificado os sistemas da casa como “desconexos, pesados e, com frequência demais, simplesmente incompatíveis”.

A IA já aparece em outras frentes do grupo. Na Ásia, o banco usa IA para checar a origem de fortunas de clientes do private bank.

Em pagamentos, o Deutsche vai ampliar o uso da IPID, que checa quem recebe uma transferência.

O que observar

O ganho relatado vale para uma fatia específica: clientes de estrutura simples e parte das decisões para multinacionais. A pergunta é até onde a automação avança quando a operação envolve grupos com várias empresas, garantias cruzadas e jurisdições diferentes. Vale acompanhar também se bancos europeus passam a divulgar quanto do volume de crédito corporativo já passa por esse tipo de decisão rápida.

A conversa entre agentes do banco e agentes do cliente levanta outra questão, de responsabilidade: quem responde por um erro quando duas máquinas fecham os termos de uma operação. A forma como reguladores e grandes instituições tratarem agentes de terceiros, hoje bloqueados por parte dos bancos americanos, deve indicar quanto espaço essa troca direta terá.

Fontes: Reuters • Let’s Money (IA na Ásia) • Let’s Money (IPID)

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