O Deutsche Bank passou a usar inteligência artificial para acelerar decisões de crédito a empresas: em parte dos empréstimos a empresas menores, a decisão que levava semanas agora sai em minutos, contou à Reuters Marie-Jeanne Deverdun, executiva do banco alemão. Em algumas operações com multinacionais, o prazo caiu de meses para semanas.
Segundo Deverdun, o projeto entrou em operação no verão europeu. Ela atribui o ganho maior nas empresas menores à estrutura mais simples desses clientes. “Para as empresas menores, que são menos complicadas na configuração e na estrutura jurídica, estamos falando de semanas para minutos”, disse ela em entrevista à agência.
Onde a IA encurtou o crédito corporativo no Deutsche Bank
| Tipo de cliente | Antes | Com IA | Alcance |
|---|---|---|---|
| Empresas menores, de estrutura jurídica menos complexa | semanas | minutos | parte dos empréstimos |
| Multinacionais | meses | semanas | algumas decisões |
Prazos de decisão relatados por Marie-Jeanne Deverdun, do Deutsche Bank. Fonte: Reuters
Por trás disso está a ADA, plataforma interna que o banco montou para criar, acompanhar e controlar agentes de IA. O nome homenageia Ada Lovelace, pioneira da computação. Pela descrição da executiva, a ferramenta deixa o Deutsche supervisionar o que os agentes fazem, administrar o risco e trocar de modelo de IA conforme a tecnologia muda.
Banco se prepara para conversar com agentes dos clientes
Segundo Deverdun, o banco também se prepara para um cenário em que os agentes de IA dele conversam direto com os agentes que os próprios clientes usam. “Já estamos nos preparando para uma economia agêntica, em que nossos agentes interagem com os agentes dos nossos clientes com responsabilidade clara e os controles certos”, afirmou.
A preparação ocorre enquanto os bancos entram na discussão, travada entre líderes de tecnologia, sobre se a IA avança rápido demais. Deverdun disse acompanhar esse debate com atenção e considerou as preocupações muito válidas. Para ela, “a gestão do risco cibernético é a minha prioridade número um”. “Estamos gastando muitos recursos e orçamento para continuar protegendo o banco dessas novas tecnologias e ameaças”, completou. Do outro lado do Atlântico, grandes bancos dos EUA começaram a barrar agentes de IA de terceiros dentro das contas de clientes, por receio de que agentes sofisticados prejudiquem o sistema bancário, relatou a Reuters.
O Deutsche prevê mais de 2,5 bilhões de euros (US$ 2,80 bilhões) em gasto adicional com tecnologia de 2026 a 2028; o total investido na área não é divulgado. Entre os concorrentes, o JPMorgan orça US$ 20 bilhões em tecnologia para 2026, e o Citigroup afirmou que a IA já desenvolve produtos a custo menor e até 40% mais rápido. O CEO Christian Sewing já disse que quer fazer do Deutsche um banco movido de fato a IA. Em 2015, o antecessor dele havia classificado os sistemas da casa como “desconexos, pesados e, com frequência demais, simplesmente incompatíveis”.
A IA já aparece em outras frentes do grupo. Na Ásia, o banco usa IA para checar a origem de fortunas de clientes do private bank.
Em pagamentos, o Deutsche vai ampliar o uso da IPID, que checa quem recebe uma transferência.









