O saldo da carteira de crédito total deve crescer 0,3% em setembro, e a expansão em 12 meses deve desacelerar de 9,2% para 8,3%. A estimativa é da Pesquisa Especial de Crédito da Febraban, feita com os principais bancos do país e divulgada todo mês como prévia da Nota de Crédito do Banco Central. Se os números se confirmarem, o mercado de crédito trará sinais mais expressivos de acomodação no mês.
Empresas puxam setembro com alta de 0,7%
O destaque do mês deve ser a carteira destinada às empresas, com avanço estimado de 0,7%. Em 12 meses, ela deve desacelerar para 6,0%, ante alta de 7,1% em agosto. Quem sustenta o resultado são os recursos livres (+1,0%), com bom desempenho das linhas externas e do desconto de recebíveis, ajudados pela sazonalidade favorável do fim de trimestre. O capital de giro, na direção oposta, deve registrar queda no mês.
A carteira Pessoa Jurídica direcionada deve subir 0,3% no período. Ela perde ímpeto nos programas governamentais, com o esgotamento dos recursos nos fundos garantidores. No acumulado de 12 meses, a parcela direcionada das empresas deve marcar alta de 15,1% (ante 17,7%), e a livre deve recuar para 0,3% (ante 0,5%).
Febraban · saldo de crédito em 12 meses
Carteira total deve crescer 8,3% em 12 meses; direcionada PJ, 15,1%
Estimativa da Pesquisa Especial de Crédito para a expansão em 12 meses até setembro de 2026, em %
Do lado das pessoas físicas, a carteira deve avançar apenas 0,1% no mês, com alta estimada de 9,7% em 12 meses (ante 10,5%). As duas modalidades devem mostrar resultado bastante modesto. A livre (+0,2%) tem o crédito rotativo como motor, e ele segue como ponto de atenção dado o endividamento das famílias; cartão à vista e veículos devem recuar. A direcionada (+0,1%) continua apoiada no crédito imobiliário, enquanto o crédito rural mantém números bastante fracos no início do Plano Safra 2026/2027.
Com isso, as duas aberturas das famílias devem sair do patamar de dois dígitos em 12 meses: Pessoa Física Livre em 9,8% (ante 10,5%) e Pessoa Física Direcionada em 9,6% (ante 10,4%). Os dados do Banco Central de julho já tinham mostrado a inadimplência no maior nível da série.
“A pesquisa indica uma desaceleração mais relevante do crédito em setembro, ainda que com nível de expansão relativamente alto. Adicionalmente, os números capturaram sinais de piora adicional na qualidade da carteira das famílias, o que reforça a preocupação com a dinâmica da inadimplência. Portanto, os sinais de desaceleração econômica vão se acumulando, em função da política monetária restritiva, e, ao que parece, podem estar chegando com mais força no mercado de crédito”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
Concessões devem cair 3,2% ante agosto
Na liberação de novos empréstimos, a pesquisa estima recuo de 3,2% das concessões em setembro ante agosto, sem ajuste pela média diária, já que os dois meses tiveram 21 dias úteis. Contra setembro de 2025, também por dias úteis, a expectativa é de avanço de 5,6%.
Nessa comparação anual, as concessões devem ser puxadas pelas empresas (+6,4%), sobretudo nas linhas com recursos livres, que ainda carregam efeito base no desconto de recebíveis por causa da majoração do IOF em junho de 2025. Nas concessões às famílias (+5,0%), sobressaem veículos, imobiliário e consignado privado. No acumulado de 12 meses, o ritmo das concessões totais deve deixar a faixa de dois dígitos e cair para 9,9% (ante 10,7%), movimento puxado pela carteira direcionada (+2,8%, ante +7,8%).
Concessões devem recuar no mês e perder os dois dígitos em 12 meses
A prévia interessa a bancos, fintechs de crédito e empresas que dependem de desconto de recebíveis e capital de giro. A Nota de Crédito do Banco Central, que segundo a Febraban sai em 29 de outubro, mostrará se a desaceleração se confirma. Vale acompanhar também o rotativo e a qualidade da carteira das famílias.