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PagamentosInternacional · Banco Central

Islândia prepara alternativa a Visa e Mastercard nas compras

Banco central do país prepara licitação de sistema para pagar direto da conta, na loja e online, sem substituir os cartões, que hoje dominam as compras.

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· 4 min

In Green / Shutterstock.com

O banco central da Islândia está na fase final de preparação da licitação de um sistema que deve permitir pagar direto da conta bancária, na loja e online. É uma rota alternativa às redes de Visa e Mastercard, sem substituí-las, num país em que as compras saem quase só no cartão.

Tómas Brynjólfsson, vice-governador para estabilidade financeira do banco central, expôs o plano em 30 de outubro, em Copenhague, na conferência Money Live Nordic Banking, segundo a Finextra. “Para uma economia pequena e altamente digital, como a Islândia, soberania em pagamentos não significa autossuficiência”, disse.

Islândia · meios de pagamento em 2025

Cartão tem 98% na Islândia, e conta a conta segue em zero

Fatia por meio de pagamento em 2025; base não informada

Fatia por meio de pagamento na Islândia em 2025, segundo o banco central do país: cartões de crédito com 98%, dinheiro em espécie com 2% e pagamento conta a conta com 0%. As carteiras móveis, listadas à parte com 72%, ficam fora do gráfico porque não cabem nessa divisão, que já fecha 100%.

Sem as carteiras móveis, listadas à parte. Fonte: Banco Central da Islândia (30/10/2026). Arte: Let’s Money.

Por que o país busca uma segunda rota

Entre 2018 e 2025, pelos números do banco central, a fatia da linha “cartões de crédito” passou de 92% para 98%, e a do dinheiro em espécie caiu de 8% para 2%, divisão que fecha 100% nos dois anos. O pagamento conta a conta não saiu de 0%. A apresentação não informa se a conta é por valor ou por número de operações, e o discurso fala em cartões em geral e cita o débito.

As carteiras móveis aparecem à parte no quadro, de 0% para 72%, e não cabem nessa divisão. Na leitura do Let’s Money, elas se sobrepõem aos cartões; o banco central não explica o ponto.

Em seu discurso, Brynjólfsson definiu esse arranjo como “robusto, mas frágil”. Ele cita a dependência de poucos fornecedores, de uma base técnica comum e de conexão digital ininterrupta, além de cabos submarinos na ligação com o exterior. Lembrou ainda que os trilhos locais do débito, relevantes durante as quebras de bancos da crise financeira global, cederam lugar a trilhos estrangeiros.

Transferir na hora entre pessoas é hábito de décadas no país, por isso a prioridade está na compra. Ao contrário de vários vizinhos, a Islândia não tem bandeira doméstica de cartão nem solução conta a conta de uso amplo no varejo.

Em outras partes da Europa, esses sistemas já existem: Wero, Bizum, Vipps MobilePay, SIBS-MB WAY e Bancomat anunciaram uma empresa conjunta em setembro de 2026, com a meta de ligar suas redes.

Como o arranjo deve funcionar

O banco central concluiu que cabe a ele facilitar a criação de um esquema compartilhado, e, no discurso, diz ter iniciado a contratação pública da solução central, baseada em pedido de pagamento (request-to-pay). Pelo desenho, o lojista gera o pedido, o cliente confirma no app do banco ou da empresa de pagamento, e o lojista recebe o aviso e o dinheiro, com confirmação imediata. Tudo correria sobre os trilhos de transferência instantânea que a própria autoridade possui e opera.

Quem faz o quê no arranjo proposto

Papel Função prevista
Camada comum Regras do esquema, padrões técnicos e interfaces
Banco central Liquidação, padrões compartilhados e contingência doméstica
Bancos e empresas de pagamento Apps, pedidos de pagamento e soluções para lojistas, com disputa em preço, funcionalidade e serviço

Desenho proposto, ainda em contratação. Fontes: discurso e apresentação do Banco Central da Islândia

“O objetivo não é substituir os cartões”, disse Brynjólfsson.

O projeto anda junto com a adesão ao TIPS, sistema de liquidação instantânea do Eurosistema, pelo acordo assinado com o BCE em junho de 2026. A meta para o TIPS é estar pronto no segundo semestre de 2028, calendário que o vice-governador chamou de ambicioso, e a data final de estreia segue em aberto.

A coroa islandesa será a quinta moeda do sistema.

O TIPS também é objeto de um estudo do BCE sobre uma conexão com o Pix, em investigação preliminar com o Banco Central do Brasil.

O que observar

A primeira pergunta é a adoção. Para a autoridade, o esquema só reforça a resiliência se já estiver disponível, aceito e conhecido antes de uma crise, e o ponto de partida é 0%. Vale acompanhar como lojistas e aplicativos de bancos reagem, e se a disputa por preço na camada de serviço chega ao custo do varejo.

Outro ponto é o calendário. Com a contratação ainda em curso e a adesão ao sistema europeu mirando o segundo semestre de 2028, fica a dúvida sobre como as duas frentes vão se encaixar.

Fontes: Finextra • Banco Central da Islândia • Discurso de Tómas Brynjólfsson • Apresentação do banco central • Banco Central da Islândia: TIPS

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