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Wero, Bizum e mais 3 se unem para pagamentos entre países

Bancomat, SIBS-MB WAY e Vipps MobilePay completam o grupo, que vai ligar 130 mi de usuários em 13 países, começando por envios de dinheiro entre pessoas.

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· 4 min

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daily_creativity / Shutterstock.com

O Wero, da EPI Company, com sede em Bruxelas, e o espanhol Bizum anunciaram na quarta-feira (30), ao lado da Vipps MobilePay, da SIBS-MB WAY e do italiano Bancomat, uma empresa conjunta para montar uma rede europeia de pagamentos. Batizada European Network for Payments, ou ENP, a empresa vai interligar os cinco sistemas, cuja base somada beira os 130 milhões de usuários, para que o dinheiro circule entre países.

Segundo o comunicado conjunto das cinco empresas, essa base está espalhada por 13 países e equivale a mais de 70% da população da União Europeia e da Noruega. Pelo relato do Valor, a ENP terá sede em Madri.

Quem funda a European Network for Payments

Fundador O que a empresa informa
Bancomat (Itália) Mais de 2,7 bilhões de transações por ano, cerca de 200 bilhões de euros
Bizum (Espanha) Mais de 32 milhões de usuários
EPI Company/Wero (Bruxelas) Wero já faz pagamentos entre pessoas na Bélgica, na França, na Alemanha e em Luxemburgo
SIBS-MB WAY Mais de 70 milhões de transações por mês no MB WAY
Vipps MobilePay Cerca de 13 milhões de usuários nos países nórdicos
Os cinco juntos Cerca de 130 milhões de usuários em 13 países europeus

Dados informados pelas próprias empresas no comunicado conjunto; países de origem de Bancomat, Bizum e Wero segundo o Valor. Fontes: comunicado conjunto (KBC Newsroom) e Valor

Como vai funcionar a rede europeia de pagamentos

Os aplicativos de cada país vão manter nome e experiência próprios. Pelo comunicado, a ENP vai ligar essas soluções sobre uma mesma camada, técnica e operacional, apoiada em normas europeias e em transferências instantâneas entre contas. As cinco fundadoras terão fatias iguais no capital da nova empresa.

Pelo cronograma do comunicado, a estreia será gradual: a primeira etapa cobrirá envios de dinheiro entre pessoas de países diferentes, e as compras online e nas lojas físicas ficam para fases posteriores. Não há data para nenhuma delas, e a implementação técnica ainda está em preparação. Outros sistemas europeus poderão entrar com o tempo, desde que os sócios aprovem e que cumpram os requisitos da rede, segundo as empresas.

De acordo com o Valor, Fernando Rodríguez, vice-diretor geral de expansão internacional da Bizum, contou que a ENP já escolheu quem vai comandá-la como presidente-executivo e pretende contratar equipe. Martina Weimert, CEO da EPI, afirmou que a conta da operação ficará com os acionistas nos anos iniciais, até a rede ganhar escala para gerar receitas próprias. Weimert classificou a fragmentação, um problema antigo, como o “maior obstáculo” dos sistemas de pagamento europeus.

“A criação da European Network for Payments demonstra a capacidade do setor bancário europeu de unir forças e construir um sistema de pagamentos soberano, eficiente e inovador, que sirva aos cidadãos” (em tradução livre), afirmou Rodríguez no comunicado.

Wero, euro digital e a dependência das bandeiras americanas

Entre os fundadores, o Wero é a carteira da EPI, empresa que, segundo a descrição institucional, foi fundada por 18 bancos e prestadores de pagamento europeus, seus acionistas. A carteira tem lançamento esperado na Áustria em 2027. Na semana passada, o Let’s Money noticiou que o bunq adere ao Wero, carteira única de pagamento da Europa.

Em junho de 2026, o portal mostrou que os maiores bancos da Áustria aderiram ao Wero, tratado como rival da Visa.

O Valor enquadra o anúncio no esforço europeu para reduzir a dependência de Visa e Mastercard. Ainda segundo o jornal, o grupo afirmou que o euro digital, que o Banco Central Europeu (BCE) pretende ter até 2029, poderia, com o tempo, complementar a iniciativa.

O que observar

O primeiro teste é de calendário. Sem data para a fase de transferências entre pessoas, vale acompanhar quando a nova empresa apresenta um cronograma e quanto as fundadoras aceitam investir até que a rede tenha receita própria.

O segundo é a adesão. A porta fica aberta para outros sistemas nacionais, mas sob aval dos sócios e regras técnicas. Para emissores de cartão, bandeiras e lojistas que atendem clientes de outros países, a pergunta é se essa camada comum vai mudar a forma como estrangeiros pagam no comércio europeu, e em que prazo.

Fontes: Valor • Comunicado conjunto (KBC Newsroom) • Let’s Money: bunq e Wero • Let’s Money: bancos da Áustria e Wero

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