Clientes do bunq, neobanco que se descreve como o segundo maior da Europa, já podem usar o Wero, carteira única de pagamento criada por bancos europeus para reunir os sistemas nacionais do continente, tanto para mandar dinheiro a outras pessoas quanto para pagar compras online na Holanda, na Alemanha, na França e na Bélgica. Pelo comunicado divulgado em 22 de setembro, o bunq diz ter sido o primeiro banco a concluir as duas funções nos quatro mercados.
Para transferir, basta ao cliente, seja pessoa física ou empresa, informar o número de celular do destinatário, desde que ele esteja num dos países participantes. No comércio eletrônico, o Wero surge como alternativa na tela de pagamento das lojas que aderiram, e o valor sai direto do saldo da conta, sem que o comprador precise digitar número de cartão.
O Wero pertence à European Payments Initiative (EPI), consórcio que, segundo o texto do bunq, tem 18 bancos e prestadores de serviços de pagamento como acionistas e mais de 50 instituições membros no continente. A ideia é juntar numa só carteira sistemas que eram nacionais: de acordo com o comunicado, ela toma o lugar de iDEAL, GiroPay, Paylib e Payconiq, enquanto outros meios de pagamento continuam em uso.
“Com o Wero, vimos a oportunidade de investir num sistema que vai remover atrito para os nossos usuários, permitindo pagamentos do jeito que os europeus realmente vivem, e não uma infraestrutura legada que para na fronteira” (em tradução livre), disse Joe Wilson, Chief Evangelist do bunq.
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Onde o Wero já opera
A descrição institucional anexada ao anúncio mostra um calendário desigual entre países. Transferências entre pessoas rodam na Bélgica, na França e na Alemanha desde 2024. Para compras no varejo, a carteira está ativa na Alemanha desde o fim de 2025 e chega de forma gradual à França e à Bélgica ao longo de 2026. Pagamento em loja física está previsto para este ano, e a migração do iDEAL, na Holanda, está planejada até 2027.
Martina Weimert, CEO da EPI, disse no comunicado que, com a integração, “os usuários do bunq ganham acesso a uma experiência de pagamento simples e segura com o ecossistema do Wero, de 60 milhões de usuários e contando” (em tradução livre). Outros bancos europeus já fizeram movimento parecido: o Let’s Money mostrou que o N26 entrou no Wero.
Na Áustria, os maiores bancos do país aderiram à rival da Visa. O bunq, por sua vez, aproveitou o palco do Update 32, no teatro DeLaMar, em Amsterdã, para anunciar ainda o cartão de crédito com limite de até € 5.000 e a marca de € 10 bilhões em depósitos.
A expansão do banco não se limita à Europa: o comunicado lembra a licença de corretora (broker-dealer) obtida nos EUA, e o Let’s Money já havia noticiado que o bunq solicita licença no México para nômades digitais.
O que observar
O pioneirismo é declarado pelo próprio banco, e a primeira pergunta é quanto tempo ele dura, já que cada instituição participante do consórcio segue o próprio calendário de implantação. Também vale acompanhar a aceitação no comércio eletrônico, que depende da adesão de lojistas país a país. Na Holanda, onde a migração do sistema nacional de pagamentos online está planejada até 2027, a questão é quanto uso a nova opção terá no checkout enquanto as duas soluções convivem. Para neobancos com clientes espalhados por vários países, a transferência por número de celular entre fronteiras é o teste mais direto de adoção.