A Bloquo, empresa de infraestrutura financeira baseada em stablecoins, fechou uma rodada Seed com captação superior a R$ 20 milhões. A operação foi co-liderada pela Crescera Capital e pela Triaxis Capital, com participação da Lattice Capital e de outros investidores. Os recursos serão destinados ao fortalecimento da estrutura regulatória e tecnológica da companhia e à expansão de sua plataforma, que conecta instituições financeiras e empresas à infraestrutura global de ativos digitais.
125 clientes e pedido de cadastro no BC
Fundada em 2024, a Bloquo já reúne 125 clientes institucionais ativos, registra volume anualizado de US$ 2 bilhões e fez pedido de cadastro no Banco Central como Corretora de Ativos Virtuais. Nos Estados Unidos, é registrada como Money Services Business junto ao FinCEN. A nova rodada marca a primeira captação institucional de venture capital da empresa, após uma rodada pre-seed realizada com investidores-anjo em 2025.
Bloquo · rodada e operação
Seed de mais de R$ 20 milhões chega com 125 clientes na base
Captação da rodada Seed, clientes institucionais ativos e volume anualizado

Números informados pela empresa. Fonte: Bloquo (30/10/2026). Arte: Let’s Money.
“Essa rodada não muda a tese da Bloquo, ela nos dá os recursos para executá-la em outra escala. Em pouco mais de um ano, comprovamos que existe uma demanda institucional relevante por infraestrutura de stablecoins. Agora, queremos transformar essa tração em uma plataforma cada vez mais regulada, tecnológica e escalável, capaz de conectar instituições financeiras e empresas brasileiras à nova infraestrutura global de dinheiro”, afirma Carlos Russo, CEO da Bloquo.
Cinco frentes para o dinheiro da rodada
O investimento será aplicado em cinco frentes principais: capital regulatório para a operação brasileira, avanço das autorizações e licenças necessárias, desenvolvimento de produtos e tecnologia, ampliação da equipe e expansão comercial.
Nos próximos 12 a 24 meses, a companhia pretende acelerar o desenvolvimento de três linhas de negócio. A primeira é a oferta de liquidez em stablecoins (Liquidity Provisioning), que sustenta o volume de operações. A segunda é a orquestração de pagamentos (Payments Orchestration), que permite utilizar essa liquidez em transações internacionais. A terceira é o VASP-as-a-Service, modelo pelo qual instituições financeiras, corretoras, provedores de serviços de pagamento (PSPs), exchanges e carteiras digitais podem oferecer serviços relacionados a stablecoins aos próprios clientes utilizando a infraestrutura da Bloquo.
“Nosso diferencial é conectar o mundo bancário e o mundo das stablecoins em uma única infraestrutura. Em vez de o cliente montar separadamente liquidez, câmbio, pagamentos, compliance e tecnologia, a Bloquo integra essas camadas em uma única plataforma”, diz Russo.
Novos corredores entre o Brasil e o exterior
A expansão internacional também está entre as prioridades. A empresa já opera estruturas no Brasil e nos Estados Unidos e trabalha para ampliar sua rede de parceiros bancários, contas internacionais, corredores de pagamento e capacidade de liquidação. O planejamento inclui novas rotas de pagamentos internacionais, infraestrutura de contas em dólares e expansão das soluções white-label e das APIs.
“A prioridade é conectar o Brasil a um número crescente de corredores internacionais, usando a estrutura regulatória e tecnológica da Bloquo para atender instituições que operam pagamentos, câmbio e stablecoins entre o Brasil e o exterior”, afirma o CEO.
Sócios são ex-cofundadores da Transfero
Antes de fundar a Bloquo, os sócios foram cofundadores e executivos da Transfero até 2023 e participaram da criação do BRZ, a primeira stablecoin brasileira, segundo a empresa.
Outras empresas de cripto também se movimentaram: a Unblock pede ao BC para ser corretora cripto com câmbio, e a IMMIX capta US$ 3,5 mi para trocar stablecoin fora do dólar.
O que observar
Para instituições financeiras, corretoras, provedores de pagamento e carteiras digitais, o ponto a acompanhar é a oferta de stablecoins como serviço, em que liquidez, pagamentos e compliance chegam prontos de um fornecedor de infraestrutura. Vale observar o andamento dos pedidos de cadastro de prestadoras de serviços de ativos virtuais no Banco Central e a abertura de novos corredores de pagamento entre o Brasil e o exterior.
Fontes: Let’s Money: Unblock pede ao BC para ser corretora cripto com câmbio • Let’s Money: IMMIX capta US$ 3,5 mi para trocar stablecoin fora do dólar • Bloquo