Binance pede ao BC licença de prestadora de ativos virtuais
A Binance protocolou no Banco Central pedido de licença para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais pela BBrasil, empresa do grupo no país.
A Binance, que se apresenta como a maior plataforma global de ativos virtuais, protocolou na sexta-feira (23), junto ao Banco Central, pedido de licença para atuar no Brasil como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). O pedido sai pela BBrasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda, que faz parte do grupo Binance.
Com a solicitação, a Binance poderá continuar oferecendo ao brasileiro, em uma única conta e com um único login, acesso a diversos ativos virtuais, compra e venda de stablecoins, pagamentos e outras soluções financeiras, incluindo investimentos. A ideia é democratizar o acesso de brasileiros e usuários ao redor do mundo a ativos e investimentos globais, com transparência, baixo custo e segurança, 24 horas por dia.
“Protocolar este pedido é um passo decisivo para a atuação da Binance no Brasil e reforça nosso compromisso com os usuários brasileiros de oferecer produtos e serviços dentro das condições estabelecidas pela legislação e regulação nacionais”, afirmou Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil.
Licença de intermediária e produtos descontinuados
Com mais de 330 milhões de usuários no mundo e US$ 34 trilhões negociados em 2025, a plataforma busca uma licença de intermediária de ativos virtuais. A solicitação segue as diretrizes das Resoluções 519, 520 e 521 do BC. Entre as exigências estão a segregação patrimonial, a manutenção de contas individualizadas e a custódia dos ativos em entidade reconhecida pelo Banco Central do Brasil.
“Apoiamos um mercado regulado que considere as características dos ativos virtuais, para que o acesso à tecnologia e à inovação continue avançando, mas esperamos que o contínuo diálogo com o Banco Central nos permita oferecer, no futuro próximo, outros produtos que foram descontinuados para atender à regulação vigente, de forma a permitir que usuários brasileiros tenham acesso às mesmas oportunidades oferecidas globalmente”, disse Sarandy.
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Corretora com Pix e certificação de quase 900 itens
Além da BBrasil, a estrutura da Binance no Brasil inclui a Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A. (antiga Sim;paul Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A), responsável por ofertar as contas de pagamento individualizadas e a integração direta com o Pix para os usuários no Brasil neste primeiro momento.
A corretora também objetiva incorporar serviços com ativos virtuais em seu portfólio. Ela passou por certificação técnica independente, emitida pela CertiK, que avaliou quase 900 itens, entre infraestrutura, governança, segurança da informação, proteção dos ativos dos clientes e controles de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. A certificação foi submetida ao Banco Central em 1º de setembro de 2026 e segue em análise.
Binance · caminho regulatório
Pedido ao BC vem depois da certificação da corretora
Marcos citados pela Binance, de 2022 ao protocolo da licença
A certificação da Binance Brasil Corretora avaliou quase 900 itens. Fonte: Binance (26/10/2026). Arte: Let’s Money.
“Confiança é o produto. Para nós, escala e estrutura de compliance são aliadas da regulação: quanto mais usuários estiverem dentro de plataformas reguladas e transparentes, mais fácil é combater fraudes, lavagem de dinheiro e proteger o consumidor”, acrescenta Sarandy.
A Binance publica prova de reservas mensal desde 2022 e mantém o fundo de proteção SAFU, com mais de US$ 1 bilhão, para proteger usuários em caso de hacks e ataques cibernéticos.
“A consolidação de um arcabouço regulatório previsível, construído junto com o mercado e que promova a inovação, é fundamental para que o Brasil siga na liderança”, completa Sarandy.
O que observar
Para quem usa plataformas de cripto no Brasil, o marco a acompanhar é a resposta do BC aos pedidos de licença das prestadoras de serviços de ativos virtuais. Vale observar se o diálogo com o regulador abre espaço para a volta de produtos que saíram do mercado com as novas regras.