A Mesh, rede de pagamentos em cripto, e a Visa anunciaram na segunda-feira (19), em Las Vegas, durante o Money20/20 USA, uma parceria para que saldos em cripto e stablecoin guardados em carteiras digitais paguem compras em mais de 175 milhões de pontos de venda que aceitam Visa, na loja física e online. Data de início, aparelhos compatíveis e plataformas participantes ainda serão anunciados.
“Cripto nunca teve problema para ser gasta; tem um problema de última milha, e até agora resolvê-lo significava ter um cartão à parte”, disse Bam Azizi, CEO e cofundador da Mesh (em tradução livre). No domingo (18), Azizi dividiu o palco com Alex Blania, CEO da Tools for Humanity, na noite em que a World lançou no Money20/20 uma prova de humano para bancos.
Como o pagamento vai funcionar
Pelo desenho anunciado, uma credencial Visa será criada nos bastidores, e o usuário não vai precisar vender o ativo, transferir ou carregar saldo antes. Ele vai aproximar o celular de uma maquininha comum, sem contato, ou fechar a compra no site. No momento do pagamento, a Mesh vai definir de qual saldo sai o dinheiro, entre cripto, stablecoin e moeda fiduciária, e fazer a conversão. O lojista vai receber um pagamento Visa comum, sem trocar de equipamento e sem mexer no checkout.
A meta é pôr ao alcance desses saldos a rede da bandeira, presente em mais de 200 países e territórios e com US$ 14,2 trilhões em pagamentos no ano fiscal de 2025.
Visa · rede de aceitação
A rede da Visa que a parceria quer abrir a saldos cripto
Números da Visa, não da parceria; volume do ano fiscal de 2025
Números da Visa citados pela Mesh no anúncio da parceria. Fonte: Mesh (19/10/2026). Arte: Let’s Money.
Publicidade
Quem integra e quem cuida do cadastro
Para carteiras e exchanges onde o usuário guarda os saldos, a proposta é uma única integração com a Mesh, no lugar de montar do zero emissão de cartão e processamento. A Mesh assume o papel de gestora do programa (program manager), responsável pelo cadastro dos usuários e pelo KYC. Fundada em 2020, a Mesh tem mais de 200 empresas usando sua rede, que chega a centenas de milhões de usuários por meio de parcerias com KAST, Majority, Félix Pago, Kalshi e Tools for Humanity. Quais plataformas vão oferecer o pagamento com Visa ainda não foi definido.
“Os consumidores esperam cada vez mais usar o seu dinheiro como e onde quiserem”, disse Rubail Birwadker, Global Head of Growth da Visa (chefe global de crescimento), em tradução livre. A bandeira vem abrindo frentes em stablecoin, e o Visa Direct passou a aceitar USDC para pré-financiar envios.
A Mesh parte de um descompasso. Os donos de cripto no mundo chegaram a 774 milhões em junho de 2026, pela estimativa da Crypto.com, mas, segundo a Mesh, quase nada desse valor chega ao gasto do dia a dia. Pela descrição da Mesh, quem quer gastar em moeda comum um saldo em stablecoin hoje saca para a conta no banco e espera, ou adere a um cartão ligado a uma só plataforma. É o modelo de fornecedoras de infraestrutura de cartão como a Rain, que une cartão e saque em carteira de stablecoin para apps.
O que observar
O primeiro ponto é o calendário: sem data, aparelhos nem carteiras definidos, a parceria ainda é um desenho de produto. Vale acompanhar quais plataformas entram primeiro, em quais países, e quem paga pela conversão do saldo na hora da compra: o usuário, a carteira ou a orquestradora.
Para as emissoras de cartão cripto, um modelo que dispensa o cartão à parte muda a conversa com as carteiras, que poderiam oferecer gasto na rede da bandeira sem montar programa próprio. E, com o KYC nas mãos da gestora do programa, a pergunta é como os reguladores vão dividir a responsabilidade quando o saldo fica numa empresa e a identificação do cliente, em outra.