A Mural, sistema de registro para fintechs e plataformas preparado para os marcos regulatórios locais, concluiu uma rodada Série A de US$ 15 milhões liderada pela Tether. Com o aporte, o total captado pela empresa, fundada em 2022 e sediada em Nova York, chega a US$ 28 milhões. Os recursos vão apoiar a expansão global da Mural, que amplia a operação no Brasil e fortalece as atividades na Argentina, na Colômbia e no México, com planos de chegar a outros países da América Latina.
A rodada teve ainda a participação da North Island Ventures e de outros investidores que já estavam na base, entre eles Sebastián Mejía, cofundador e ex-presidente da Rappi, e Wences Casares, pioneiro de fintechs na Argentina e fundador da Patagon e do Xapo Bank.
Mural · captação e volume processado
Série A de US$ 15 milhões leva o total captado a US$ 28 milhões
Rodada liderada pela Tether e volume de pagamentos desde o lançamento da API, em 2025
Dados divulgados pela empresa. Fonte: Mural (20/10/2026). Arte: Let’s Money.
US$ 2,1 bilhões processados desde 2025
A Mural se apresenta como um sistema único para gerenciar contas, pagamentos, identidade e conformidade regulatória por trás de produtos financeiros criados para pessoas e para os agentes autorizados a agir em nome delas. Ela cuida das licenças, das relações bancárias e dos trilhos de pagamento locais e em blockchain, peças que muitas empresas globais hoje combinam a partir de dezenas de ferramentas, bancos parceiros e fornecedores de compliance.
Desde o lançamento de sua API, em 2025, a Mural processou US$ 2,1 bilhões em volume de pagamentos para usuários finais em 128 países. O volume de 2026 até agora é quase seis vezes maior que o total de todo o ano de 2025.
“O Brasil mostrou a rapidez com que as pessoas adotam formas melhores de pagar. O Pix se tornou parte do dia a dia em poucos anos, e as stablecoins agora seguem o mesmo caminho para quem precisa de dólares”, afirma Sinclair Toffa, CEO e cofundador da Mural.
A Tether, que liderou a rodada, é a emissora do USD₮, a maior e mais utilizada stablecoin do mundo. “À medida que os agentes começam a movimentar dinheiro, essa conexão com os bancos, as redes de pagamento e os sistemas de conformidade regulatória nos quais o mundo ainda se apoia se torna essencial, e a Mural já faz isso em escala”, disse Paolo Ardoino, CEO da Tether.
Fundadores com passagem pela Palantir
Os fundadores da Mural, Sinclair Toffa e Chris Fernandes, trabalharam como engenheiros da Palantir integrando sistemas independentes em empresas da Fortune 100. A Mural levou para o setor financeiro o modelo forward-deployed da Palantir: seus engenheiros atuam lado a lado com os clientes, in loco, em cada mercado, e lançam a integração junto com eles. “Apostei primeiro na equipe. Eles vêm da Palantir e sabem construir soluções que funcionam em ambientes complexos”, afirma Mejía.
Dólar, stablecoin e moeda local na mesma conta
Clientes como Deel, Opera e axexo usam a Mural para criar produtos financeiros, como fluxos de folha de pagamento e de remessas, em que os usuários finais mantêm dólares, stablecoins e moeda local em uma conta unificada. Os controles incluem limites de conta, contrapartes aprovadas e aprovações personalizadas para pagamentos maiores.
O movimento interessa a fintechs e plataformas de software que querem oferecer contas em dólar, stablecoins e moeda local sem montar do zero a camada de licenças e compliance. Vale acompanhar o ritmo da expansão na Argentina, na Colômbia e no México, quais outros países da região entram na lista e como evoluem os controles para agentes que movimentam dinheiro em nome de pessoas.