O ouro digital, um mercado de US$ 45 bilhões a US$ 55 bilhões, poderia destravar até US$ 700 bilhões em demanda latente se as barreiras à adoção caírem, calcula estudo do World Gold Council (WGC) com o Boston Consulting Group (BCG) lançado no Money20/20 USA, em Las Vegas, na segunda-feira (19). Para 2031, o cenário-base fica em US$ 160 bilhões a US$ 170 bilhões.
Para o investidor, o achado mais prático é o do canal de venda. Na China, na Índia e na Indonésia, onde o produto aparece em superapps, plataformas de pagamento e apps de banco, a fatia de investidores com ouro digital chega a ser até 7 vezes maior do que em mercados menos maduros.
Potencial de longo prazo e cenário para 2031
Os US$ 700 bilhões medem a demanda reprimida e, pelo próprio conselho, não são previsão de curto prazo: só apareceriam com a remoção dos entraves atuais. Em cinco anos, a hipótese central é de alta de cerca de 27% ao ano. Se mais obstáculos caírem mais depressa, o mercado iria a US$ 270 bilhões a US$ 280 bilhões em 2031.
World Gold Council e BCG · mercado de ouro digital
Até 2031, o cenário-base fica longe dos US$ 700 bi de demanda latente
Tamanho do mercado de ouro digital, em US$ bilhões: hoje, cenários para 2031 e demanda latente total
O ponto de partida é pequeno. O ouro físico para investimento soma cerca de US$ 13 trilhões, e as versões digitais ficam abaixo de 1% do mercado global, segundo o relatório. O segmento tokenizado quintuplicou de valor desde o fim de 2024, para cerca de US$ 6 bilhões, e girou mais de US$ 90 bilhões no primeiro trimestre de 2026, acima de todo 2025. É esse tipo de ativo que o cartão Visa de Tether e Fasset com cashback em ouro acumula.
Publicidade
Confiança e canal decidem a adoção
A pesquisa ouviu mais de 12 mil investidores pessoa física e 20 especialistas. Quase nove em cada dez considerariam investir em ouro digital nas condições certas. O que trava são quatro barreiras: confiança, acesso, utilidade e custo, com a confiança como fator decisivo. Os entrevistados pedem mais proteção ao consumidor, prova transparente do lastro, resgate acessível e regras claras.
Boa parte do dinheiro seria novo para o metal. Cerca de 65% da demanda latente vem de quem ainda não tem ouro, e 52% dos atuais investidores em ouro digital não tinham o metal antes da primeira compra; desses, 92% depois compraram ouro em outros formatos. No cenário-base, o estudo projeta cerca de US$ 95 bilhões de demanda realmente nova até 2031.
“O interesse significativo dos investidores pelo ouro digital é claro, mas a demanda não consegue ganhar escala sem a infraestrutura certa por trás”, disse David Tait, CEO do World Gold Council (em tradução livre). A resposta do conselho é o Gold as a Service, infraestrutura compartilhada ainda em desenvolvimento para emissores. No painel sobre ouro on-chain, Omaya Elguindi, da Equinox Gold Corp., disse: “O que falta é uma camada física, confiável, que permita a todos se comunicarem por meio dela” (em tradução livre).
Se o canal pesa tanto, a disputa pelo investidor de ouro digital tende a passar por superapps, carteiras e bancos digitais. Vale acompanhar quais distribuidores fora da Ásia passam a oferecer o produto e com qual promessa de resgate em metal físico, uma das alavancas de confiança apontadas pelos entrevistados.
A outra pergunta é de padrão: se reguladores e emissores vão convergir em prova de lastro e proteção ao consumidor. Pelo próprio estudo, sem resolver as barreiras em escala, o ouro digital pode seguir como nicho.