Coinbase e Thunes se aliam em stablecoin e envio ao exterior
A Coinbase vai pagar em contas e carteiras locais pela rede da Thunes, que usará a infraestrutura de stablecoin da Coinbase. Anúncio no Money20/20 USA.
A Coinbase vai integrar a rede de pagamentos da fintech Thunes, de Singapura, para que o dinheiro enviado por seus clientes chegue a contas bancárias e carteiras digitais em mais países e moedas. Na outra mão, a Thunes vai rodar sua infraestrutura de stablecoin sobre as soluções da Coinbase. As duas anunciaram a aliança no Money20/20 USA, em Las Vegas, na segunda-feira (19).
Quem entrega o quê na aliança
Empresa
O que vai fornecer
Quem usa
Thunes
Rede própria ligada aos sistemas locais de compensação e a meios alternativos, com entrega em tempo real na carteira ou na conta de destino
Clientes da Coinbase que enviam dinheiro ao exterior
Coinbase
Conjunto de soluções de stablecoin
A Thunes, dentro da própria rede
Fonte: Thunes e Coinbase, no Money20/20 USA (19/10/2026). Thunes
Como a aliança divide o trabalho
O que a Coinbase vai plugar é a Direct Global Network, nome que a Thunes dá à sua rede. Com ela, a plataforma da Coinbase ganha saída direta para as câmaras locais de compensação e para meios alternativos de pagamento. A Thunes assume o trecho final, em tempo real, até a carteira ou a conta de quem recebe, inclusive onde há pouca estrutura bancária.
No sentido inverso, as soluções de stablecoin da Coinbase vão servir de base para a Thunes, que assim poderá levar essas moedas digitais mais a fundo pela própria rede e ampliar sua presença no ecossistema de ativos digitais. Os usos listados vão do pagamento a fornecedores ao repasse a trabalhadores de aplicativos em vários países e às remessas internacionais instantâneas.
“Os ativos digitais se tornaram parte central do nosso ecossistema financeiro, mas conectar as moedas digitais ao dinheiro fiduciário e aos sistemas financeiros locais continua essencial para a utilidade no mundo real”, disse Chloé Mayenobe, vice-CEO (Deputy CEO) da Thunes, em tradução livre. Alec Lovett, chefe de produtos de infraestrutura (Head of Infrastructure Products) da Coinbase, disse que a conexão de última milha é parte-chave do plano da empresa para stablecoins: “trabalhar ao lado da Thunes nos permite entregar uma experiência de pagamento de ponta a ponta”, afirmou, também em tradução livre.
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A rede que a Coinbase vai usar
Pelos números da própria Thunes, a rede paga em tempo real em mais de 140 países e mais de 90 moedas, tem conexão direta com mais de 12 bilhões de carteiras móveis, carteiras de stablecoin e contas bancárias e alcança 15 bilhões de cartões por mais de 220 meios de pagamento. Uber, Deliveroo, Grab e WeChat aparecem entre os membros. São dados da rede inteira, e não metas do acordo com a Coinbase.
Thunes · alcance declarado da rede
Rede da Thunes, que a Coinbase vai integrar, paga em mais de 140 países
Alcance da rede inteira da Thunes, declarado pela empresa; não são números do acordo
Fonte: Thunes, no Money20/20 USA (19/10/2026). Dados autodeclarados. Arte: Let’s Money.
Em setembro, o J.P. Morgan Payments escolheu a Thunes para ampliar os envios internacionais da suíte Xpedite Remit. Kyle Rosen, chefe para a América do Norte (Head of North America) da Thunes, descreveu a parceria com a Coinbase como reflexo do avanço da empresa entre grandes negócios americanos de serviços financeiros, pagamentos, fintech e ativos digitais.
No Brasil, a Thunes fechou em dezembro de 2021 uma parceria com o Bexs Banco para que empresas e clientes de fora mandassem dinheiro ao país em tempo real, via Pix. É um acordo anterior e separado: Thunes e Coinbase não disseram por quais países a nova integração começa nem se o Brasil está entre eles.
Falta saber quando a integração entra em operação e por quais países e moedas ela começa. Para plataformas de ativos digitais, o teste será mostrar que a troca de stablecoin por moeda local na ponta, com as exigências de compliance de cada país, sai mais rápida e mais barata do que o caminho dos bancos correspondentes.
Vale acompanhar quem fica com o risco de câmbio e com a margem quando o envio começa em stablecoin e termina numa carteira móvel. Para operadoras de remessa e plataformas que pagam trabalhadores no exterior, essa divisão pode pesar no preço final do envio.