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Brasil fica à frente dos EUA e lidera adoção de criptoativos

Chainalysis põe o país à frente dos EUA com US$ 252,5 bi em cripto movimentados em 12 meses, apesar de queda de 1,6%; executivos citam stablecoins.

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· 4 min

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O Brasil ficou em primeiro lugar no índice global de adoção de criptoativos da Chainalysis, à frente dos Estados Unidos (EUA), agora segundos colocados. Pelo relatório, os brasileiros movimentaram US$ 252,5 bilhões em cripto nos 12 meses até junho de 2026.

Para executivos do setor ouvidos em release enviado ao Let’s Money, a liderança tem menos a ver com especulação e mais com o uso prático dos ativos digitais, com destaque para as stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar.

O Brasil no relatório de adoção cripto da Chainalysis

Indicador (julho de 2025 a junho de 2026) Brasil
Posição no índice global de adoção 1º lugar (EUA em 2º)
Valor movimentado em cripto US$ 252,5 bilhões
Variação ante o período anterior queda de 1,6%
Fatia da atividade cripto da América Latina 43,7% (31,6% no período de 2022)
Alta da economia de stablecoins 495% (89,4% no restante da região)
Corretoras locais nos fluxos para corretoras no país 12,5% (eram 1,5%)

Índice global de adoção e capítulo de América Latina do relatório de 2026 da Chainalysis. Fontes: Chainalysis, Chainalysis (América Latina) e Valor Econômico

Como a Chainalysis chegou ao primeiro lugar

A sétima edição do índice estreia metodologia e ranqueia 117 países por quatro fatores: valor que chega a corretoras e outros serviços, transferências entre carteiras dentro do país, envios entre países e saldos na blockchain. O Brasil não venceu nenhum quesito isoladamente, mas ficou entre os quatro primeiros em todos. Os EUA lideram em fluxos totais e em saldos, mas caem para 20º nas transferências internas entre pessoas.

O primeiro lugar convive com retração. Segundo os números publicados pelo Valor Econômico, a atividade no país encolheu 1,6% ante o ciclo anterior, enquanto México (25,5%), Argentina (15,3%) e Colômbia (13,8%) cresceram. Ainda assim, quase metade do valor cripto que circula na região passa pelo Brasil.

Stablecoins puxam casos de uso reais

“O Brasil não lidera apenas em adoção de criptoativos, mas principalmente em casos de uso reais”, afirma Carlos Russo, CEO da Bloquo. Segundo ele, “o crescimento de quase 500% nas stablecoins mostra que empresas e pessoas estão utilizando ativos digitais como infraestrutura para pagamentos e operações internacionais.”

O relatório traz um número da mesma ordem: a economia brasileira de stablecoins avançou 495%, contra 89,4% nos demais mercados latino-americanos, e a Chainalysis liga parte dessa alta ao uso por empresas, sobretudo em liquidez e remessas.

Da especulação ao uso cotidiano

Andrew Forson, presidente da DeFi Technologies, vê a liderança como resultado da incorporação dos criptoativos à rotina financeira. “A posição do Brasil como principal mercado de adoção de criptoativos no mundo reflete a forma como os ativos digitais vêm sendo incorporados às atividades financeiras cotidianas, deixando de estar restritos a investimentos ou à especulação”, diz.

Olhando adiante, ele projeta mais empresas usando ativos digitais em tesouraria, remessas e liquidação. “A liderança do Brasil, portanto, sinaliza uma possível direção para o mercado global: não necessariamente a substituição das finanças tradicionais pelas criptomoedas, mas a incorporação dos ativos digitais como uma camada cada vez mais integrada ao sistema financeiro”, conclui.

Regra do BC e corretoras locais

As plataformas nacionais ganharam terreno: segundo a Chainalysis, corretoras brasileiras ou com operação no país passaram a receber 12,5% do dinheiro que entra em corretoras por aqui, ante 1,5%. O relatório cita a maior clareza regulatória como possível explicação e menciona as normas do Banco Central que incluem exigência de capital mínimo para empresas cripto, ponderando que elas podem pesar sobre empresas menores.

O que observar

A liderança interessa a corretoras de cripto, emissores de stablecoins, bancos e empresas que fazem pagamentos internacionais. Como o ranking estreou metodologia, vale acompanhar se o país mantém a posição nas próximas edições e se o volume volta a crescer. A outra pergunta é regulatória: o capital mínimo exigido das prestadoras de serviços de ativos virtuais, que já tinham sido alvo de uma regra do BC que trava cripto no Pix, vai manter o avanço das plataformas locais ou concentrá-lo em poucos nomes?

Fontes: Release da Base Comunica, com declarações de Carlos Russo (Bloquo) e Andrew Forson (DeFi Technologies) • Chainalysis: 2026 Global Crypto Adoption Index • Chainalysis: América Latina • Valor Econômico • Let’s Money: BC exige até R$ 37,2 mi e enxuga mercado cripto no Brasil • Let’s Money: Regra do BC trava cripto no Pix e ameaça liderança do Brasil

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