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Singapura lidera cripto à frente da Austrália e da Índia

Chainalysis mostra Singapura com US$ 284 bi em atividade cripto em 12 meses, alta de 55,4%, à frente de Austrália e Índia; região recuou 6,8%.

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· 3 min

Singapura consolidou sua posição como principal mercado de criptoativos da região da Ásia Central, Sudeste Asiático e Oceania (CSAO), segundo o capítulo regional do Geography of Cryptocurrency Report 2026, da Chainalysis, plataforma de dados de blockchain. O país somou US$ 284 bilhões em atividade cripto entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026, alta de 55,4% sobre o ano anterior.

O avanço aconteceu mesmo com a atividade cripto regional em queda de 6,8% no período. A Austrália ficou em segundo lugar, com US$ 173,1 bilhões, e a Índia mantém a terceira posição, com US$ 135 bilhões movimentados. A Chainalysis já havia colocado o Brasil à frente dos EUA no ranking global deste ano, como mostrou a reportagem Brasil fica à frente dos EUA e lidera adoção de criptoativos.

Os maiores mercados cripto da região CSAO

Mercado Atividade cripto (jul/2025 a jun/2026)
1. Singapura US$ 284 bilhões (alta de 55,4%)
2. Austrália US$ 173,1 bilhões
3. Índia US$ 135 bilhões
Região como um todo Queda de 6,8%

Capítulo regional do Geography of Cryptocurrency Report 2026. Fonte: Chainalysis

Institucionais puxam a alta de Singapura

A expansão de Singapura foi impulsionada principalmente pelo mercado institucional. Os fluxos destinados a plataformas voltadas para investidores profissionais cresceram 94%, alcançando US$ 60 bilhões no período. Os fluxos para exchanges centralizadas aumentaram 30%, e os de plataformas descentralizadas, 69%. O relatório relaciona esse desempenho ao desenvolvimento da infraestrutura de mercado e a um ambiente regulatório relativamente claro para empresas e participantes institucionais que atuam com ativos digitais.

Na região como um todo, as plataformas institucionais movimentaram US$ 152,3 bilhões, alta de 40% em relação ao período anterior, e a participação desse segmento na atividade regional chegou a 18,9% ao fim do segundo trimestre de 2026. Na Austrália, os fluxos para plataformas institucionais atingiram cerca de US$ 40 bilhões, com forte participação de custodiantes, mesas OTC e market makers. O estudo também destaca a expansão de produtos regulados voltados a investidores tradicionais e iniciativas de tokenização de ativos financeiros.

Stablecoins avançam além da negociação de ativos

Em todos os mercados analisados, a atividade transfronteiriça com stablecoins superou a atividade doméstica. Na Malásia, o volume internacional foi 29,5 vezes superior ao doméstico. Considerando toda a região, a atividade internacional foi, em média, 3,2 vezes maior.

O movimento está associado a casos de uso como pagamentos empresariais internacionais, remessas e liquidações, nos quais stablecoins podem ajudar a reduzir atrasos, custos e fricções dos sistemas tradicionais. Em Singapura, pagamentos B2B internacionais com stablecoins já são descritos por um executivo do setor como uma realidade implementada. Nas Filipinas, um dos maiores mercados de remessas do mundo, Nichel Gaba, fundador e CEO da Philippine Digital Asset Exchange (PDAX), estima que entre 5% e 10% das remessas recebidas já sejam liquidadas por meio de stablecoins.

Transferências entre pessoas ganham relevância

Juntas, Filipinas, Tailândia e Vietnã responderam por 14,4% de todas as transferências globais P2P (peer-to-peer, entre pessoas) de pequeno valor realizadas no período, apesar de representarem apenas 2,5% da economia cripto mundial. Mais de quatro em cada cinco transferências domésticas nesses três mercados tiveram valor inferior a US$ 1.000, com ticket médio de US$ 618, abaixo da média de US$ 1.210 registrada no restante do mundo.

De acordo com o relatório, o próximo estágio da região dependerá de como o interesse institucional e os usos cotidianos dos ativos digitais se transformarão em aplicações de longo prazo. Clareza regulatória, proteção ao investidor, qualidade dos ativos e infraestrutura de suporte aparecem entre os fatores considerados importantes para sustentar esse desenvolvimento.

O que observar

Para bancos, exchanges e empresas que fazem pagamentos internacionais na Ásia e na Oceania, o ponto a acompanhar é se a fatia institucional, que chegou a 18,9% da atividade regional, continua subindo nos próximos trimestres. Também vale observar se a parcela de remessas liquidadas em stablecoins nas Filipinas, hoje estimada entre 5% e 10%, ganha medição oficial, e se o uso de blockchain se amplia para tesouraria, tokenização e liquidação financeira, frentes citadas por especialistas ouvidos no estudo.

Fontes: Chainalysis: Geography of Cryptocurrency Report 2026, capítulo CSAO • Let’s Money: Brasil fica à frente dos EUA e lidera adoção de criptoativos

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