BBVA cria hub de IA para coordenar mais de 150 profissionais
Centro em Bilbao vai coordenar equipes de dados e IA; para o presidente, Carlos Torres Vila, a vantagem estará em integrar a tecnologia em todo o banco.
O banco espanhol BBVA anunciou em 25 de setembro de 2026 um hub de inteligência artificial em Bilbao, na Espanha, que vai coordenar mais de 150 profissionais de dados, IA e analítica avançada. A aposta, segundo o presidente do grupo, é que a corrida da IA se decide na capacidade de espalhar a tecnologia pelo banco inteiro, e isso depende de gente.
O que o BBVA mantém em Bilbao
Estrutura
Papel
BBVA Bilbao AI Transformation Hub (novo)
Vai coordenar mais de 150 profissionais de dados, analítica e IA
BBVA Technology
Desenvolve soluções digitais usadas globalmente pelo grupo
BBVA Spark
Apoia startups e investidores locais em IA, cleantech e biotech
BBVA Quantum Days
Encontros sobre computação quântica em finanças, com a Diputación Foral de Bizkaia
Comunicado do BBVA de 25 de setembro de 2026. Fonte: BBVA
Um hub de IA para disputar talento técnico
Na prática, o núcleo junta na cidade as equipes que trabalham com dados, modelos analíticos e IA. Duas profissionais da área de AI Transformation vão coordená-lo, Ziortza Sulibarria e Nagore Bilbao, de acordo com o comunicado. O banco lista três metas: transformar o hub em polo de IA reconhecido em todo o país, captar talento local e alinhar o trabalho com as demais unidades do grupo.
“Estamos diante de uma transformação profunda que vai redefinir como operamos e nos relacionamos com nossos clientes”, disse Carlos Torres Vila, presidente do BBVA, em tradução livre. Na leitura dele, a disputa se resolve na execução: “A vantagem não estará só em acessar a melhor tecnologia, mas em nossa capacidade de integrá-la e sistematizar seu uso em todo o banco, com rapidez e em escala. E para isso, o talento é chave”.
Sobre o papel da nova estrutura, o executivo afirmou: “queremos multiplicar as capacidades que já temos em Bilbao, desenvolver e atrair talento e reforçar seu papel na transformação do BBVA”.
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Bilbao já abriga outras frentes do grupo
A cidade não começa do zero. Lá funcionam a BBVA Technology, que desenvolve soluções digitais para o grupo inteiro, e a BBVA Spark, braço de apoio a startups e investidores locais em setores como IA, cleantech e biotech. Em parceria com o governo provincial de Bizkaia (a Diputación Foral), o banco também organiza os BBVA Quantum Days, encontros para testar usos de computação quântica em finanças.
O hub se soma a um programa corporativo maior. Os funcionários ganharam acesso às ferramentas de IA mais relevantes do mercado, o grupo tem alianças com gigantes globais de tecnologia e montou uma área própria, a AI Transformation, para padronizar como soluções de IA são construídas e operadas. Segundo o comunicado, existem oito iniciativas que levam IA a cada etapa da cadeia de valor, além de um marco comum chamado The Frame, voltado a criar, governar e operar agentes de IA em escala.
Os agentes de IA também já saíram do laboratório em pagamentos: o banco e a Visa concluíram a primeira compra iniciada por agente de IA no programa Agentic Ready, na Europa.
O que observar
Bancos grandes disputam especialistas em dados e IA com empresas de tecnologia que recrutam no mundo todo. A pergunta que fica é se hubs dedicados, montados em torno de uma cidade, conseguem reter esse perfil de profissional por tempo suficiente para transformar pilotos em sistemas de produção. Vale acompanhar se o número de pessoas coordenadas cresce a partir do patamar anunciado.
A outra frente é governança. Quando um grupo cria um padrão único para construir e supervisionar agentes de IA, o ganho esperado é escala com controle. O teste será ver se esse tipo de regra corporativa acelera as equipes locais ou se vira mais uma camada de aprovação entre a ideia e a entrega.