A Visa capturou US$ 40 bilhões em transações fraudulentas em 2025, resultado de um investimento de US$ 13 bilhões em segurança com inteligência artificial. No Brasil, uma das soluções da empresa já identifica 82% das fraudes em transações entre contas.
Segurança Visa: resultados de 2025
| Métrica |
Resultado |
| Fraudes capturadas (2025) |
US$ 40 bilhões |
| Investimento em IA de segurança |
US$ 13 bilhões |
| Detecção conta-por-conta (Brasil) |
82% das fraudes |
| FeatureSpace no Brasil |
Previsto para 2026 |
Dados da Visa sobre resultados de segurança em 2025. Fonte: TI Inside
Do investimento ao resultado
Os números foram detalhados por Leopoldo Cottin, Diretor de Soluções de Risco LAC da Visa, em entrevista exclusiva ao TI Inside. Segundo o executivo, a principal ameaça ao ecossistema latino-americano são as fraudes em transações, e os sistemas de pagamento instantâneo, Pix em particular, adicionaram uma nova camada de complexidade ao ambiente de segurança. “É necessário nos concentrarmos de fato nesses novos canais. E este é um daqueles exemplos em que temos que oferecer as soluções certas, que entendam qual é a intenção do consumidor […]”, disse Cottin.
No Brasil, a entrega concreta dessa estratégia é a solução conta-por-conta: um modelo que analisa transações entre pares específicos de contas e foi capaz de identificar 82% das fraudes nesse vetor. O design da solução prioriza acessibilidade. “É fundamental que os clientes consigam compreender, de fato, os novos padrões de fraude que estão surgindo e que nós forneçamos as ferramentas que os ajudem a se adaptar a isso […]”, afirmou Cottin. Em março, o Let’s Money reportou que a Visa e o Banco do Brasil testaram compras feitas por agentes de IA, sinal de que a bandeira amplia gradualmente suas apostas tecnológicas no país.
FeatureSpace e a aposta no pré-transação
A próxima camada da estratégia de segurança da Visa é o FeatureSpace, plataforma com modelos de IA supervisionados automaticamente que se adapta ao comportamento individual do consumidor. A solução usa interações com outros modelos para construir uma visão de 360 graus do cliente, com o objetivo de reduzir falsos positivos e melhorar a experiência de usuário. “Também estamos indo além da transação em si, porque tudo começa, na verdade, no crime cibernético. Isso significa que estamos antecipando o que está por vir […]”, afirmou Cottin.
A plataforma ainda não opera no Brasil, mas há previsão de disponibilidade no país ainda em 2026. A abordagem pré-transação acompanha uma tendência mais ampla no ecossistema: a Serasa registrou 2 milhões de fraudes bloqueadas em 2025 usando lógica de análise comportamental anterior ao evento, indicando que a defesa antifraude no Brasil migra da reação para a prevenção.
O que observar
A chegada de plataformas de IA supervisionada ao Brasil tende a concentrar a pressão em instituições que ainda operam com modelos de detecção reativos, baseados em regras fixas. O FeatureSpace, ao se adaptar automaticamente ao comportamento do consumidor, coloca em teste a capacidade de fintechs e bancos menores de integrar esse tipo de solução sem elevar custo operacional. Vale acompanhar se o acesso será via APIs abertas ou por contratos diretos, o que define quem consegue adotar a ferramenta de forma ágil e quem ficará defasado.
O dado de 82% de captura conta-por-conta é relevante pelo contexto: o BC barrou 111 mil fraudes em um mês via mecanismos de bloqueio na infraestrutura do Pix. Dois sistemas de natureza diferente convergiram para o mesmo vetor. O que permanece como pergunta aberta é como esses modelos se comportam quando fraudadores migram para canais menos monitorados, onde a cobertura ainda é fragmentada.
Fontes: TI Inside • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money