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Registradora CERC diz elevar produtividade em 67% com IA

A CERC, infraestrutura de mercado financeiro, afirma ter executado mais de 25 mil tarefas com 115 agentes de IA internos, os ‘Cerquinhos’, em 90 dias.

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· 3 min

A CERC, registradora e infraestrutura de mercado financeiro, afirma que sua rede interna de agentes de inteligência artificial rendeu um salto de 67% na produtividade dos funcionários e realizou um volume acima de 25 mil tarefas num intervalo de 90 dias. Segundo a empresa, já são 115 agentes em atividade, apelidados internamente de Cerquinhos.

Os números que a CERC atribui à IA

Item Dado (segundo a CERC)
Ganho de produtividade 67% nos últimos 90 dias
Tarefas executadas com IA mais de 25 mil
Agentes ativos (“Cerquinhos”) 115
Camada de governança Gateway CERC FROST

Dados informados pela empresa. Fonte: TI Inside

Como a CERC organizou os Cerquinhos

Antes de colocar a IA para rodar, a empresa diz ter redesenhado seus fluxos para que as tarefas pudessem ser entregues a agentes de forma previsível, com entradas, estados e saídas delimitados. Cada Cerquinho recebe persona, escopo e mandato próprios e fica sob a gestão de um responsável humano, um arranjo que a companhia aplica em frentes como risco, compliance, financeiro, atendimento e engenharia de software.

A coordenação fica a cargo do Gateway CERC FROST, uma camada de governança criada para vigiar segurança, custos e o enquadramento nas regras do Banco Central (BC). O desenho reflete uma operação regulada, em que a adoção de IA generativa cobra uma infraestrutura bancária mais moderna e rastreável.

“A nossa experiência mostra que a discussão sobre IA no mercado financeiro já não é apenas sobre eficiência, mas sobre desenho de operação. Quando agentes passam a executar milhares de tarefas, a empresa precisa definir com clareza o que pode ser delegado, quais decisões permanecem sob responsabilidade humana e como cada etapa será monitorada”, afirma André Racz, CIO da CERC.

SHIFT e a aposta em open source

A mesma lógica de provar a tecnologia dentro de casa antes de vendê-la sustenta o SHIFT, outra frente da empresa. É uma plataforma de agentes autônomos dedicada à criação de software, que dá suporte a engenheiros desde o desenho da tarefa até a fase de testes. O plano da companhia é abrir o código do SHIFT ao público, ainda sem data marcada, liberando a arquitetura para que times externos a estudem e reaproveitem.

O movimento acompanha uma corrida mais ampla por automação com IA no sistema financeiro. Recentemente, Visa e Banco do Brasil passaram a testar compras feitas por agentes de IA, movimento que mostra a delegação de tarefas a softwares autônomos avançando para além do campo experimental.

O que observar

Os números partem da própria empresa e ainda não têm verificação independente, o que pede cautela na leitura dos 67% de ganho. O ponto que interessa a quem acompanha o uso de inteligência artificial em setores fiscalizados é menos o percentual e mais o desenho: quando o regulador está de olho, cada tarefa entregue a um agente precisa de rastro, limite de escopo e um responsável humano identificável.

Vale acompanhar se o modelo de agentes com persona, escopo e mandato sustenta a governança quando a autonomia cresce e migra para decisões mais sensíveis, como risco e compliance. A pergunta aberta é como fica a divisão de trabalho entre software e analista à medida que infraestruturas de mercado transformam esse aprendizado interno em produto para terceiros.

Fontes: TI InsideLet’s Money: Visa e BB testam compras por agentes de IALet’s Money: IA generativa exige infraestrutura bancária moderna

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