O Terrabank, banco comunitário de Miami afiliado ao Grupo Promerica, fechou parceria com a TerraPay e a Mozrt que o habilita a mandar dinheiro de clientes para contas bancárias e carteiras digitais fora dos EUA. Pela conta da TerraPay, o acordo coloca ao alcance do banco mais de 156 países e corredores de pagamento.
Quem faz o quê na parceria do Terrabank
| Peça |
Papel descrito no comunicado |
| Terrabank |
Banco comunitário de Miami, afiliado ao Grupo Promerica; oferece o envio a contas e a carteiras digitais |
| TerraPay |
Rede global de compensação; mais de 156 países e corredores, segundo a empresa |
| Mozrt |
Plataforma SmartRails, que roteia os pagamentos e já era usada pelo banco |
| Tipos de envio |
Remessas de pessoas físicas e pagamentos de empresas |
| Ganhos esperados |
Checagens de fraude, OFAC e AML; liquidação mais rápida; tarifas menores que a transferência internacional tradicional |
Papéis e ganhos esperados conforme o comunicado das empresas. Fonte: Finextra
Um banco de Miami com clientela internacional
Fundado em 1985, o Terrabank se apresenta como banco nacional com seguro federal, criado para atender a comunidade empresarial do sul da Flórida e mercados internacionais selecionados. O comunicado fala em atendimento de relacionamento mantido há mais de quatro décadas e lista quatro públicos atendidos pela nova rota: varejo, empresas, correspondência bancária e fintechs.
A engrenagem técnica não é nova para o banco. Ele já operava a plataforma SmartRails, da Mozrt, empresa de Minnesota fundada por Jeff Althaus, seu presidente e CEO; o que muda é a entrada da rede de contas e carteiras da TerraPay nesse sistema. “Nosso objetivo final é tornar os pagamentos tão fluidos e intuitivos quanto possível para os nossos clientes”, disse Antonio Uribe, presidente e CEO do Terrabank.
Uma integração no lugar de várias negociações
O argumento das empresas é de custo operacional. Ralph Koker, head de Europa e Américas da TerraPay, afirmou que a parceria acaba “transformando o que antes eram dias de negociações de correspondência bancária em uma única integração”. Na descrição dele, uma integração só ocupa o lugar das tratativas com bancos correspondentes.
A lista de ganhos, por ora, é de expectativa. As empresas citam controles integrados de fraude, OFAC (o escritório de sanções do Tesouro americano) e AML, liquidação mais rápida e tarifas menores e mais transparentes do que as de uma transferência internacional tradicional. O texto não traz valores de tarifa, prazos de liquidação nem data para a oferta chegar a todos os clientes. “Trabalhar em conjunto com a TerraPay e o Terrabank é um exemplo perfeito de como os pagamentos globais modernos deveriam funcionar”, disse Althaus.
A TerraPay já apareceu em outros acordos do gênero: com o Banco Ganadero, levou pagamentos à Bolívia, e com a Mastercard firmou parceria para ampliar o uso global de carteiras digitais.
Grandes bancos americanos também olham para a carteira como destino da remessa. Nesta semana, o Let’s Money noticiou que o Bank of New York leva remessa bancária a carteiras digitais, com um serviço oferecido a outros bancos.
O que observar
A primeira pergunta é de uso. O anúncio descreve capacidade, não volume: vale acompanhar quantos clientes de varejo e empresas passam a mandar dinheiro para carteiras digitais e se a promessa de tarifa menor aparece em preço publicado. Sem esses números, fica difícil medir o ganho frente à transferência tradicional.
A segunda é de estrutura. A fala de Koker trata a negociação com bancos correspondentes como o gargalo que a integração elimina. Se agregadores de rede e plataformas de roteamento ganharem esse espaço, a checagem de sanções e de lavagem de dinheiro passa a atravessar mais intermediários, e resta ver como reguladores e bancos vão dividir essa responsabilidade.
Fontes: Finextra • Terrabank • Mozrt