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RegulaçãoRegulação · Banco Master

CVM acusa Reag de ocultar cotistas e falsear liquidez

CVM abriu processo sancionador contra a Reag por ocultar cotistas, falsear liquidez e omitir testes de estresse em fundos ligados ao Master.

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· 3 min

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A CVM formalizou acusações contra a Reag Trust e seu ex-diretor Ramon Pessôa Dantas em processo sancionador, documentando como rotina sistemática a ocultação de cotistas com mais de 20% do patrimônio líquido dos fundos, liquidez reportada incorretamente e ausência de testes de estresse obrigatórios. Para a autarquia, as falhas não eram erros isolados: o processo descreve compromissos de correção firmados pela gestora que foram “reiteradamente descumpridos”.

Irregularidades documentadas pela CVM contra a Reag

Irregularidade O que foi reportado Realidade documentada
Resgates (Reag Growth, set. 2025) R$ 23,6 mi em pedidos de saque PL de R$ 106,6 mil
Liquidez em ações NINJ3 (out. 2024) R$ 165 mil como ativos líquidos Volume mensal na B3: R$ 7 mi
Status de exclusividade dos fundos Registrados como não exclusivos Fundos de cotista único
Testes de estresse de liquidez Não realizados Obrigatórios por regulação

Dados do processo sancionador da CVM sobre a Reag. Fonte: Valor Econômico

Uma rotina com ofícios de alerta ignorados

O termo de acusação cita os fundos Reag Alpha, Bravo 95 e Latache Crédito Estruturado 95 como exemplos, mas afirma que os demais fundos da gestora estavam na mesma situação. Entre dezembro de 2023 e outubro de 2024, era recorrente o reporte de pedidos de resgate superiores ao patrimônio líquido. No Reag Growth, os resgates registrados em setembro de 2025 somavam R$ 23,6 milhões, enquanto o fundo informava PL de apenas R$ 106,6 mil.

A Reag respondeu à CVM que identificou “inconsistência operacional”, na qual o pedido de resgate havia sido cancelado mas permaneceu refletido na carteira. O regulador também apontou que a gestora contabilizou como líquidos R$ 165 mil em ações da própria Reag (NINJ3), sendo que o volume total de negociações do papel na B3 foi de R$ 7 milhões ao longo de outubro de 2024. Cotas de FIDCs fechados, cuja liquidez costuma ser baixíssima, também entraram na conta de ativos líquidos. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag em janeiro de 2026 por “graves infrações às normas do sistema financeiro”.

O fundo de R$ 35 bilhões e os fluxos para o Master

O Hans 95, multimercado investigado na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, era o cotista único do Reag Alpha, um dos fundos citados no processo sancionador. Criado em novembro de 2018, desde o primeiro ano as demonstrações do Hans não tinham aval de auditores. Em 2019, a auditoria emitiu avaliação com ressalvas e, a partir de 2020, absteve-se de opinar por problemas de carteira e governança. O fundo tinha R$ 35,3 bilhões de patrimônio líquido em 4 de abril de 2026, cifra que caiu para R$ 27 bilhões cinco dias depois, segundo dados da CVM.

O timing conecta os dois casos: o Hans 95 e o Reag Growth injetaram mais de R$ 1 bilhão no Banco Master em outubro de 2024, o mesmo período em que a gestora deixou de reportar à CVM os cotistas relevantes de seus fundos. A CVM reuniu uma equipe de cúpula em fevereiro de 2026 para avaliar o caso Master, que acumula 14 termos de acusação contra o grupo e entidades relacionadas desde 2017.

O que observar

O caso expõe uma vulnerabilidade estrutural no monitoramento de fundos integrados a conglomerados financeiros: quando a gestora e os cotistas relevantes pertencem ao mesmo ecossistema, a falta de identificação dos beneficiários finais compromete a rastreabilidade dos fluxos de capital para o regulador. A distinção entre omissão operacional e ocultação deliberada tende a ser determinante no julgamento pelo colegiado da CVM, que ainda não tem data marcada.

Vale acompanhar como o padrão documentado de auditores que se abstêm de opinar em fundos investigados será tratado em futuras regras de due diligence para administradores. A eventual condenação neste processo sancionador pode estabelecer precedente para a responsabilização de gestoras que integram grupos financeiros investigados por irregularidades sistêmicas.

Fontes: Valor EconômicoCVMAgência BrasilLet’s Money

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