A CVM formalizou acusações contra a Reag Trust e seu ex-diretor Ramon Pessôa Dantas em processo sancionador, documentando como rotina sistemática a ocultação de cotistas com mais de 20% do patrimônio líquido dos fundos, liquidez reportada incorretamente e ausência de testes de estresse obrigatórios. Para a autarquia, as falhas não eram erros isolados: o processo descreve compromissos de correção firmados pela gestora que foram “reiteradamente descumpridos”.
Irregularidades documentadas pela CVM contra a Reag
| Irregularidade | O que foi reportado | Realidade documentada |
|---|---|---|
| Resgates (Reag Growth, set. 2025) | R$ 23,6 mi em pedidos de saque | PL de R$ 106,6 mil |
| Liquidez em ações NINJ3 (out. 2024) | R$ 165 mil como ativos líquidos | Volume mensal na B3: R$ 7 mi |
| Status de exclusividade dos fundos | Registrados como não exclusivos | Fundos de cotista único |
| Testes de estresse de liquidez | Não realizados | Obrigatórios por regulação |
Dados do processo sancionador da CVM sobre a Reag. Fonte: Valor Econômico
Uma rotina com ofícios de alerta ignorados
O termo de acusação cita os fundos Reag Alpha, Bravo 95 e Latache Crédito Estruturado 95 como exemplos, mas afirma que os demais fundos da gestora estavam na mesma situação. Entre dezembro de 2023 e outubro de 2024, era recorrente o reporte de pedidos de resgate superiores ao patrimônio líquido. No Reag Growth, os resgates registrados em setembro de 2025 somavam R$ 23,6 milhões, enquanto o fundo informava PL de apenas R$ 106,6 mil.
A Reag respondeu à CVM que identificou “inconsistência operacional”, na qual o pedido de resgate havia sido cancelado mas permaneceu refletido na carteira. O regulador também apontou que a gestora contabilizou como líquidos R$ 165 mil em ações da própria Reag (NINJ3), sendo que o volume total de negociações do papel na B3 foi de R$ 7 milhões ao longo de outubro de 2024. Cotas de FIDCs fechados, cuja liquidez costuma ser baixíssima, também entraram na conta de ativos líquidos. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag em janeiro de 2026 por “graves infrações às normas do sistema financeiro”.








