O governo federal pôs na conta da medida provisória que proíbe as bets um recuo de cerca de 10% no Pix de todo o país, e não só nos pagamentos a apostas, entre o sábado (26) e a segunda-feira (28). A estimativa partiu de Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, na coletiva desta terça-feira (29), segundo o Poder360, sem estudo e sem período-base informado.
Lucas ligou o movimento à MP 1.394, editada na sexta-feira (25), que bane no país as apostas de quota fixa, esportivas e de jogos on-line, inclusive a propaganda, e derruba em 30 dias as licenças já dadas às operadoras, conforme o texto da medida no Planalto. “O único fato que foi relevante do ponto de vista financeiro foi a adição da medida provisória”, disse. Ele apontou as operações de jogo como a origem mais provável do recuo, mas, nas palavras dele, a ligação com as apostas ainda “precisa ser melhor aprofundada”.
O número chega com lacunas: Lucas não detalhou se falava da quantidade de operações ou do montante movimentado, e as séries diárias do Banco Central sobre o Pix são públicas. O ministro Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública, afirmou que o resultado mostra efeito imediato das ações de contenção.
O balanço da força-tarefa contra bets ilegais
| Indicador | Número |
|---|---|
| Queda no Pix entre 26 e 28 de setembro, segundo Chico Lucas | Cerca de 10% |
| Bloqueios judiciais e administrativos | R$ 4,17 bilhões |
| Pedidos de bloqueio de sites à Anatel desde 27 de setembro | 5.209 |
| Pedidos enviados só em 28 de setembro | 2.387 |
| Pessoas jurídicas identificadas pela SPA desde 10 de setembro | 63 |
| Páginas removidas no Facebook e no Instagram | 390 |
| Aplicativos que devem sair das lojas até 5 de outubro | 186 |
Balanço do governo federal apresentado em coletiva no Ministério da Justiça em 29 de setembro de 2026. Fonte: Poder360
Do bloqueio de sites ao bloqueio do dinheiro
Em vez de depender só da retirada de domínios do ar, o Executivo passou a perseguir o caminho do dinheiro, com os bancos travando repasses aos operadores irregulares. Pelo relato da coletiva, até setembro a União tirava páginas do ar, mas não conseguia reter recursos; a Lei Antifacção abriu essa possibilidade, e o Banco Central editou duas resoluções sobre o assunto.
Carlos Renato Xavier de Resende, da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), vinculada à Fazenda, resumiu o limite do modelo antigo: “Se 1.000 sites eram bloqueados, 1.200 eram criados”. A partir do dia 10 deste mês, a secretaria encontrou 63 pessoas jurídicas recebendo dinheiro de páginas ilegais e mandou os autos às instituições financeiras para travar as contas.
A frente financeira já tinha sido reforçada pela regra que amplia o controle de bancos sobre bets ilegais no Pix, publicada pela SPA.








