Nove horas por semana, em média, é quanto o dono de pequeno negócio no Brasil gasta pagando contas, cobrando clientes, emitindo notas e conferindo recebimentos. Somado o ano, são cerca de 468 horas, quase três meses de expediente, mostra pesquisa da Bridge Research feita a pedido do Nu Empresas, do Nubank, com 1.200 entrevistados em julho de 2026.
Os entrevistados também contam o que fica para trás. No trimestre anterior ao levantamento, 85% deixaram de lado alguma tarefa estratégica por sobrecarga, e 68% acham que a empresa daria mais lucro com menos burocracia. Outros 37% abriram mão de traçar os planos de expansão do ano seguinte, segundo a reportagem do Times Brasil.
Onde vão as nove horas
No ranking das tarefas que mais pesam, as obrigações fiscais e tributárias vêm primeiro, lembradas por 43% dos entrevistados. Depois aparecem o registro do que entra e sai do caixa, com 41%, a emissão das notas, com 40%, e a conferência do que os clientes pagaram, com 30%.
Nu Empresas e Bridge Research · tarefas que mais tomam tempo
Fisco e controle do caixa pesam mais na rotina do pequeno negócio
% dos donos de pequenos negócios que citam cada tarefa; pesquisa com 1.200 entrevistados, julho de 2026
Por porte, a conta vai de cerca de 8 horas semanais no MEI a 10 horas, na média, nas micro e pequenas. Num recorte separado, por setor, o varejo pesa mais, com 11 horas, e escritórios e consultórios ficam em 8.
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Planilha e caderno ainda cuidam do caixa
A gestão segue manual em boa parte da amostra. Para controlar o caixa, 53% recorrem à planilha e 23% ao papel ou à caderneta. As plataformas das próprias instituições financeiras atendem 29%, e programas de gestão empresarial, 19%.
A IA já chegou a 66% desses negócios, mas para outra função. Entre quem usa, 68% escrevem textos com ela e 63% criam imagens e vídeos; na parte financeira ou administrativa, o uso cai para 30%.
“Cada hora dedicada a conferir um boleto ou emitir uma nota é uma hora que deixa de ir para o planejamento, para o cliente ou para o crescimento do negócio”, afirmou Maximiliano Damian, vice-presidente de Nu Empresas. Para atacar essa rotina, o executivo aponta dois produtos do banco, os assistentes de pagamentos e de cobranças, feitos para automatizar o trabalho operacional.
Há ainda números internos, que valem só para clientes do banco e não para a amostra. Em setembro de 2026, entre as empresas com Caixinhas PJ, 77% tinham ao menos uma reserva com objetivo definido, e 86% mantinham saldo guardado por mais de 30 dias. O limite transacional, que deixa o titular da conta PJ fixar um teto de movimentação por funcionário, está sendo ampliado para 100% dos clientes elegíveis.
O que observar
Os números são respostas dos próprios entrevistados, numa pesquisa encomendada por quem vende produtos para essas tarefas. Vale acompanhar se bancos digitais com conta PJ conseguem tirar o fluxo de caixa da planilha, onde ele está para mais da metade da amostra, ou se esse espaço fica com sistemas de gestão e escritórios de contabilidade.
A outra pergunta é se a IA, hoje concentrada em conteúdo, migra para conciliação, notas e cobrança. O varejo, com a maior carga semanal entre os setores medidos, seria o primeiro lugar para notar a diferença.