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Open Insurance tem menos de 10 mil consentimentos ativos

Após cinco anos e mais de R$ 1 bilhão investido pelas empresas, sistema tem 61 participantes; setor cita jornada burocrática e pouco ganho ao cliente.

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O open insurance brasileiro chegou a setembro de 2026 com um estoque de consentimentos ativos abaixo de 10 mil, num sistema que reúne 61 instituições participantes, cinco anos após o início da implantação. O número, publicado pelo Valor Econômico, contrasta com o que as empresas do setor já investiram na construção do sistema: acima de R$ 1 bilhão.

Open insurance: o investimento e o uso

Indicador Dado
Tempo desde o início da implementação cinco anos
Investimento das empresas do setor acima de R$ 1 bilhão
Consentimentos ativos (até setembro de 2026) menos de 10 mil
Instituições participantes 61
Integração com o open finance esperada para 2027

Dados da reportagem do Valor Econômico de 30/09/2026. Fonte: Valor Econômico

Pelo desenho do sistema, o segurado pode autorizar que seguradoras troquem entre si o histórico dele e os dados de seguros, previdência e capitalização, o que abriria espaço para comparar ofertas e receber propostas sob medida. Na prática, pouca gente fez isso até agora.

Onde o sistema emperra, segundo o setor

Na Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a leitura é que a parte técnica está de pé e o gargalo passou a ser o uso. “A infraestrutura existe, as empresas estão conectadas e aptas a trocar informações, mas isso ainda não se traduziu em utilização efetiva pelo consumidor”, afirmou Karini Madeira, da CNseg, ao Valor.

Rafael Carvalho, da Aegis Consultoria, põe o peso na falta de recompensa. No open finance, crédito e um retrato consolidado das finanças deram ao cliente motivo para liberar os dados; no seguro, esse retorno ainda é pouco visível. “Autorizar o compartilhamento de dados de apólices exige um esforço do consumidor que, hoje, não é recompensado por nenhum ganho tangível e imediato”, disse ele.

Ícaro Leite, CEO da Guru Spoc e especialista em open insurance, enxerga um problema técnico antes mesmo da demanda: há casos em que o cliente autoriza e a informação chega faltando pedaços, em formato impróprio, ou o fluxo trava no meio. “Há uma questão anterior de infraestrutura”, afirmou. Sem garantia de que o dado transite completo depois da autorização, argumenta, não há como montar uma proposta ao segurado.

Priscila Figueiredo, CEO da corretora OpenPower, acrescenta a experiência do usuário. Quem tem apólices em várias empresas pode ter de repetir o processo e autorizar o acesso diversas vezes, e muitas seguradoras menores seguem fora da rede. Pesa também a baixa frequência de contato: “O consumidor acessa os serviços bancários com frequência, mas normalmente se relaciona com o seguro na contratação, na renovação ou diante de um sinistro”, afirmou.

Um diagnóstico que se repete

A queixa sobre demanda não é nova. Em maio de 2026, o Let’s Money mostrou que o open insurance avança, mas a baixa demanda trava a escala do sistema.

Neste mês, foi a vez de um comitê da camara-e.net defender que o Open Insurance precisa virar serviço útil ao segurado, em vez de ficar restrito à troca de informação. Segundo o Valor, a próxima tentativa de ganhar tração passa por aproximar o open insurance do open finance, com integração esperada para 2027.

O que observar

A primeira pergunta é se a integração com o open finance vai encurtar o caminho do cliente que tem apólices em mais de uma seguradora, reduzindo o número de autorizações exigidas, ou se apenas acrescenta uma etapa a uma jornada que o próprio setor já considera burocrática. A segunda é se as seguradoras de menor porte entram na rede antes disso, já que a ausência delas limita o que um comparador consegue mostrar.

Vale acompanhar também se corretoras e processadoras de ordem do cliente conseguem transformar o dado compartilhado em vantagem visível, como desconto na renovação, e se a qualidade da informação trafegada melhora a ponto de sustentar essas ofertas. Sem um ganho concreto para quem autoriza, a pergunta é o que faria a curva de adesão mudar de patamar.

Fontes: Valor Econômico • Let’s Money

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