A Outmarket, startup dos EUA que usa inteligência artificial para tirar a papelada das mãos de agências e corretoras de seguros, levantou US$ 34,5 milhões em uma Série B liderada pela SignalFire. Segundo o TechCrunch, que ouviu uma pessoa a par do investimento, a rodada avaliou a empresa em US$ 335 milhões.
A Série B da Outmarket em números
| Item |
Dado |
| Série B |
US$ 34,5 milhões, liderada pela SignalFire |
| Série A anterior |
US$ 17 milhões, quatro meses antes |
| Avaliação |
US$ 335 milhões, segundo pessoa a par do investimento |
| Clientes |
mais de 300 agências de seguro |
Dados da rodada e da base de clientes da Outmarket. Fonte: TechCrunch
Duas rodadas em quatro meses
O novo aporte chega quatro meses depois de uma Série A de US$ 17 milhões, segundo o TechCrunch. Ao lado da líder SignalFire, entraram Dash Fund, TTV Capital, Fika Ventures e Permanent Capital Ventures. A empresa confirmou a captação em post no seu blog, datado de 25 de setembro e assinado pelos cofundadores Vishal Sankhla e Anshu Jain. “Anunciamos nossa Série A recentemente. Não esperávamos captar de novo tão cedo”, escreveram os dois.
Pela conta da Outmarket, a pressa veio da adoção. A plataforma declara mais de 300 agências e mais de 10 mil usuários. O TechCrunch acrescenta que 25% das 100 maiores corretoras dos EUA já estão na carteira, base formada a partir do lançamento de um novo produto, há 14 meses.
O que a IA faz dentro da corretora
Sankhla comandava a área de produto da Ethos, distribuidora digital de seguro de vida que abriu capital neste ano, depois de passar por Facebook e Uber. Ele saiu da Ethos no fim de 2023 para criar a Outmarket. “Noventa e cinco por cento dos seguros nos EUA e no mundo ainda são vendidos por meio de agentes [humanos]”, disse Sankhla ao TechCrunch. Na leitura dele, a rotina de quem vende apólices continua muito manual.
A startup escolheu o seguro empresarial, em que cada apólice é montada sob medida para o cliente, com combinações que vão da responsabilidade civil geral a acidentes de trabalho e à cobertura de diretores e administradores (D&O). “Existem mais de 250 tipos diferentes de coberturas por aí, dependendo de qual é o seu negócio, que risco você tem e o que você quer cobrir”, afirmou o executivo.
Segundo a empresa, o software lê os documentos de cada conta e cuida de tarefas como comparar cotações, conferir apólices e apontar lacunas de cobertura. Com a rodada, a Outmarket apresentou ainda o Certificate Hub, que interpreta um contrato ou uma locação, extrai as exigências de seguro, cruza com as apólices do cliente e ajuda a emitir o certificado no padrão ACORD. A ideia, descreve o TechCrunch, é deixar o corretor livre para o trabalho que pede contato humano, como socorrer clientes numa emergência.
O TechCrunch cita Fulcrum AI e FurtherAI entre as startups que disputam o mesmo cliente. O apetite de investidores por IA em seguros nos EUA já aparecia no caso da Corgi, que saltou para US$ 4 bilhões de avaliação com seguro turbinado por IA.
Do lado das próprias corretoras, a automação também avança fora dos EUA: na corretora de seguros alemã MRH Trowe, cerca de 400 funcionários criam agentes de IA.
O que observar
Com o mercado americano de seguros de danos e responsabilidade acima de US$ 1 trilhão em prêmios anuais, segundo o TechCrunch, o espaço para software de corretagem é grande. A pergunta é se a adoção entre as maiores corretoras vira contratos mais amplos, com mais equipes e linhas de negócio, ou se fica restrita a tarefas pontuais.
Vale acompanhar também a responsabilidade. Certificados de seguro, segundo a própria empresa, podem gerar exposição relevante a erros e omissões quando uma exigência ou um detalhe da apólice passa despercebido. Quanto mais essa etapa for delegada a sistemas de IA, mais corretoras e seguradoras vão precisar definir quem responde por uma falha e como o corretor revisa o que a máquina entrega.
Fontes: TechCrunch • Outmarket • Let’s Money • Let’s Money