A marca de 1 bilhão ficou para trás: o Pix fechou setembro com 1,008 bilhão de chaves registradas, segundo dados do Banco Central publicados pelo Valor. Só as pessoas físicas respondem por 956,7 milhões delas, na mesma base do diretório de chaves. Divididas pelos 168,2 milhões de usuários pessoa física que o BC conta no diretório de chaves, dão 5,7 chaves por pessoa na mesma data, acima do teto de cinco permitido em cada conta.
Média por usuário passa do limite de uma conta
A média só é possível porque parte dos usuários tem chaves em mais de uma conta. Pela regra do Pix, uma conta de pessoa física aceita no máximo cinco chaves, e cada chave fica amarrada a uma única conta de cada vez. Se cada pessoa tivesse uma conta só, a média não passaria de cinco.
O número subiu ao longo de 2026. Ao fechar 2025, o estoque somava 920 milhões de chaves, com as empresas donas de 44,7 milhões e as pessoas físicas, de 875,4 milhões, segundo o balanço trienal que o BC fez do Pix. Os dados abertos do regulador mostravam 162,9 milhões de usuários pessoa física naquele dezembro, o que dava 5,4 chaves por pessoa. Em nove meses, a base de usuários cresceu 3,3%, enquanto o estoque de chaves de pessoas físicas avançou 9,3%.
Do lado das empresas, o ritmo foi maior: as chaves de pessoas jurídicas saíram de 44,7 milhões para 51,2 milhões, alta de 14,7% no período. Ainda assim, cada um dos 18,7 milhões de usuários pessoa jurídica no diretório tem 2,7 chaves em média, longe do limite de 20 por conta que vale para CNPJ.
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Chave aleatória virou a metade do estoque
Pensado para que o cliente não precise expor telefone, CPF ou e-mail, o código gerado pelo próprio banco reúne 526,8 milhões de registros, 52,3% do estoque. O celular vem em segundo, com 16,5% (166,3 milhões de chaves); depois aparecem o CPF, que concentra 153,9 milhões, e o e-mail, que fica com 14,3% (144,6 milhões de chaves).
Pix · chaves por tipo
A chave aleatória já é mais da metade das chaves do Pix
Quatro maiores tipos de chave no estoque de 30/09/2026, em milhões
Em 2020, primeiro ano do sistema, o desenho era outro: o relatório do BC aponta a aleatória com 26,5% das chaves e o CPF na frente, com 34,3%. O próprio regulador liga a virada ao avanço dos pagamentos de pessoas para empresas, que passaram a gerar códigos aleatórios para cobrar por produtos e serviços. O perfil das transações acompanha: as operações entre pessoas físicas eram 85% do total em 2020, e os pagamentos de pessoas a empresas chegaram a 43% em 2025. O mesmo balanço trienal já tinha mostrado o Pix por Open Finance saltando oito vezes em 2025.
O que observar
Se boa parte da chave aleatória nasce de cobrança, o estoque passa a medir atividade comercial tanto quanto adesão de pessoas, e os números divulgados contam o estoque registrado, sem dizer quantas chaves de fato recebem dinheiro. A pergunta é quanto desse meio bilhão segue em uso. Para bancos digitais, carteiras e instituições de pagamento, a média acima do limite de uma conta indica que o cliente divide o relacionamento entre várias contas. Resta saber se a chave vira item de disputa na hora de concentrar onde o dinheiro cai.
Vale acompanhar também o efeito no combate a fraude. O DICT, o diretório que guarda essas chaves, também recebe as marcações de suspeita de fraude, cujas regras o BC mudou ao revisar o Pix contra fraude em setembro. Mais chaves por pessoa significam, em tese, mais pontas a monitorar. Para o usuário, a consulta de todas as chaves no próprio nome segue gratuita pelo Registrato, no site do BC.