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Jeitto troca holerite por score para motorista e entregador

Informalidade chega a 72,1% entre trabalhadores de apps; na Jeitto, que usa histórico de pagamentos, 35% dos clientes tiveram ali o 1º crédito formal.

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Fernando Silva, CEO do Jeitto, aplicativo de crédito e consumo para as classes C e D.

A Jeitto, aplicativo de crédito e consumo para as classes C e D, avalia motoristas, entregadores e outros profissionais de aplicativo pela pontuação comportamental, e não pelo holerite. Segundo release da empresa, pedir contracheque ou extrato consolidado barra no sistema financeiro quem trabalha sem carteira assinada; a alternativa é um método apoiado no histórico de pagamentos e no uso de serviços digitais.

Informalidade de 72,1% entre trabalhadores de plataformas

O módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizado em 2025 pelo IBGE, aponta que o Brasil possui mais de 2 milhões de pessoas atuando na economia de plataformas digitais, em aplicativos de transporte de passageiros, entregas e serviços gerais. O levantamento registra ainda que a taxa de informalidade entre esses trabalhadores alcança 72,1%, patamar superior aos 42,7% observados no setor privado tradicional.

Nesse cenário, a ausência de contracheque inviabiliza a contratação de empréstimos em bancos tradicionais, mesmo para trabalhadores com renda mensal constante, de acordo com o release.

Pontuação comportamental no lugar do holerite

A análise comportamental em substituição à comprovação documental de renda já aparece em diferentes formatos no mercado de crédito digital, e o setor já discute novas tecnologias que ampliam o acesso ao crédito além do score. Segundo o comunicado, o que ainda não se disseminou é a combinação desse modelo com o crédito rotativo integrado diretamente ao aplicativo do usuário: sem cartão, sem conta corrente vinculada e com progressão de limite lastreada exclusivamente no histórico de pagamentos.

Essa configuração parte de valores acessíveis para cobrir necessidades imediatas e evolui conforme a adimplência. Na prática, funciona como uma primeira linha de crédito formal para trabalhadores sem vínculo empregatício registrado.

“O trabalhador de aplicativo tem fluxo de caixa diário, mas não conta com a previsibilidade de uma folha de pagamento. Os modelos tradicionais de análise costumam interpretar essa oscilação como um risco elevado e, muitas vezes, restringem o acesso ao crédito”, afirma Fernando Silva, CEO do Jeitto.

Como funciona o e-Grana

Para atender esse público, a empresa desenvolveu um modelo de análise capaz de considerar diferentes comportamentos financeiros e adequar a oferta de crédito à capacidade real de pagamento de cada cliente. Um dos principais produtos da fintech de crédito popular digital é o e-Grana, crédito digital rotativo de até R$ 500, disponível diretamente no app, sem cartão físico. A avaliação é feita com CPF e número de celular.

O ticket médio registrado no fim do mês é de R$ 265. Segundo a empresa, a oferta de valores menores ajuda a evitar o superendividamento e funciona como ferramenta de gestão do fluxo de caixa familiar.

A Jeitto em números

Indicador Valor
Limite do e-Grana (crédito rotativo no app) Até R$ 500
Ticket médio do e-Grana no fim do mês R$ 265
Crédito concedido em 12 anos Mais de R$ 7 bilhões
Clientes cadastrados / primeiro crédito formal 16 milhões / 35%

Dados informados pela empresa. Fonte: Jeitto

R$ 7 bilhões concedidos em 12 anos

Em 12 anos, a Jeitto já concedeu mais de R$ 7 bilhões em crédito e reúne 16 milhões de clientes cadastrados. Para 35% deles, o app representou o acesso ao primeiro crédito formal. A empresa informa usar inteligência artificial para combinar mais de 2 mil variáveis e oferecer crédito em menos de dois minutos.

“O que mais de uma década de operação demonstra é que esse público honra seus compromissos quando o crédito é adequado à sua capacidade real de pagamento. O desafio não está apenas no risco, mas na existência de instrumentos capazes de mensurá-lo com precisão”, conclui Silva.

O que observar

Para motoristas, entregadores e outros profissionais sem vínculo formal, a comprovação de renda segue como primeiro filtro do crédito. Vale acompanhar como modelos baseados em histórico de pagamentos evoluem na oferta de limites pequenos e progressivos, se ganham espaço além do crédito rotativo de baixo valor e como a adimplência desse público se comporta à medida que os limites crescem.

Fontes: JeittoIBGELet’s MoneyLet’s Money

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