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BlackRock vê stablecoins como moeda dos agentes de IA

Para a maior gestora do mundo, stablecoins devem liderar os pagamentos feitos por agentes de IA, e a computação pode virar novo mercado de ativos digitais.

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· 4 min

Maior gestora global, a BlackRock publicou um estudo em que a inteligência artificial aparece como impulso pouco percebido para o mercado de criptoativos e tokens. Se agentes de IA passarem a pagar sozinhos por dados, APIs e capacidade de processamento, a gestora avalia que as stablecoins devem liderar esse uso transacional.

A tese da BlackRock em números

Indicador Valor citado no estudo
Stablecoins em circulação (setembro de 2026) mais de US$ 300 bilhões
Volume ajustado de transações com stablecoins em 2025 acima de US$ 11 trilhões
Valor transferido pelo ACH (rede de transferências bancárias dos EUA) em 2025 US$ 93 trilhões
Crescimento anual composto, 2020 a 2025 80% nas stablecoins, cerca de 8,5% no ACH
Receita de nuvem de Amazon, Microsoft e Google até 2030 cerca de US$ 1,1 trilhão (estimativa de consenso)

Dados do estudo The Machine-Native Economy. Fonte: BlackRock

Por que a gestora aposta nas stablecoins

Para a BlackRock, os trilhos atuais tropeçam quando quem paga é uma máquina. O estudo lista quatro atritos: cadastro, credenciais e autorização que podem depender de uma pessoa; tarifas de aceitação que podem tornar antieconômicas as cobranças de valor ínfimo; prazos de liquidação e de finalidade; e possíveis limites de escala conforme cresce o volume gerado por máquinas.

“Vários tipos de ativos digitais podem apoiar o comércio agêntico, mas é provável que as stablecoins liderem o uso transacional”, escreveram os quatro autores do estudo, entre eles Will Su, chefe de pesquisa de ativos digitais, e Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock.

O argumento se apoia em escala. Pelo levantamento da gestora, o estoque de stablecoins em circulação superava US$ 300 bilhões em setembro de 2026, e o volume ajustado passou de US$ 11 trilhões em 2025, na mesma faixa ampla dos volumes anuais de Visa e Mastercard. É pouco diante dos US$ 93 trilhões que passaram pelo ACH (rede de transferências bancárias dos EUA), mas o ritmo difere: 80% ao ano entre 2020 e 2025, contra cerca de 8,5%. Essas moedas rodam em várias redes, inclusive dedicadas, como a blockchain Arc, lançada pela Circle, em que a USDC foi desenhada para pagar as taxas da própria rede.

Entre as peças já em uso, o texto destaca o x402, protocolo aberto da Coinbase que recorre ao código HTTP 402 (“Payment Required”) para que um software pague por um recurso on-line, com a USDC como caso inicial. O uso real ainda é pequeno: pagamentos agênticos crescem, mas não dominam o x402, e a TRM Labs, ao analisar US$ 52,7 milhões liquidados via x402 neste ano, estimou que agentes respondem por algo entre 0,6% e 7,5% desse valor, segundo o Decrypt. A maior parte do tráfego parecia de scripts automatizados comuns, não de agentes autônomos.

Computação como novo ativo

Outra frente do estudo é o poder de processamento. Tomando as divisões de nuvem de Amazon, Microsoft e Google como medida aproximada desse mercado, a BlackRock cita estimativas de consenso de analistas que apontam receita combinada de cerca de US$ 1,1 trilhão até 2030, alta anual composta de 29% sobre 2025. A gestora imagina contratos padronizados de capacidade, negociáveis e aceitos como garantia, com agentes cotando e contratando servidores por tarefa.

O próprio texto aponta obstáculos: produtividade diferente entre gerações de chips, custo de energia que muda de região para região e falta de padrão tanto para a liquidação financeira quanto para a entrega da capacidade contratada. Como sinal de convergência, cita o acordo de agosto de 2026 pelo qual a Stripe concordou em comprar a OpenRouter, que roteia cargas entre mais de 400 modelos.

O que observar

O próprio estudo reconhece que tudo está no começo. “O ecossistema continua incipiente, com a atividade de pagamentos agênticos e a liquidez do mercado de computação ainda limitadas”, escrevem os autores. A pergunta é se o volume de agentes autônomos cresce a ponto de se distinguir, nas medições, do tráfego de scripts comuns.

Vale acompanhar também a disputa entre trilhos: o texto espera que redes de cartão e de transferência bancária adaptadas sigam relevantes quando há uma pessoa ou empresa do outro lado. Na computação, o teste será o surgimento de contratos padronizados com liquidez, que ainda não existem. Se aparecerem, provedores e compradores de nuvem ganhariam um instrumento para proteger preço.

Fontes: BlackRock • CoinDesk • Cointelegraph Brasil • Decrypt • Let’s Money • Let’s Money

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