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Bloomberg: EUA estudam apoiar stablecoins em dólar no mundo

Segundo a Bloomberg, governo Trump avalia sociedades com empresas para espalhar stablecoins em dólar fora dos EUA e reforçar a moeda como reserva.

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· 3 min

Segundo reportagem da Bloomberg publicada na quarta-feira, com base em pessoas a par dos planos, o governo de Donald Trump avalia uma iniciativa para estimular o uso de stablecoins lastreadas em dólar fora dos Estados Unidos, com a meta de reforçar a posição da moeda americana como reserva mundial. A informação foi repercutida pelo Cointelegraph. Nada foi anunciado oficialmente e o plano segue em estudo.

O plano descrito pela Bloomberg

Item O que foi relatado
Status Em avaliação pelo governo, segundo pessoas a par dos planos
Formato possível Joint ventures entre governo e empresas privadas para apoiar projetos de stablecoin
Órgãos que poderiam participar Departamento do Tesouro, Departamento de Estado e DFC
Objetivo descrito Ampliar o uso internacional de stablecoins em dólar e reforçar o dólar como moeda de reserva
Efeito potencial Mais demanda por títulos do Tesouro americano, ativo de reserva comum dessas moedas

Iniciativa em estudo relatada pela Bloomberg com base em pessoas a par dos planos. Fonte: Cointelegraph

Sociedades com empresas e três órgãos federais na mesa

Pelo relato, Washington poderia apoiar projetos de stablecoin montando joint ventures com companhias do setor privado. A Bloomberg menciona três órgãos federais que poderiam entrar no esforço: o Departamento do Tesouro, o Departamento de Estado e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA, conhecida pela sigla DFC.

O desenho tem um efeito lateral de interesse direto do governo. Títulos do Tesouro americano são um ativo comum nas reservas das stablecoins pareadas ao dólar. Espalhar essas moedas pelo mundo pode, portanto, aumentar a procura pela dívida pública dos EUA.

O Cointelegraph procurou o Tesouro, a DFC e várias empresas americanas de stablecoin para comentar o assunto, sem retorno até a publicação da reportagem.

Uma tese repetida por autoridades americanas

A ideia de usar stablecoins para sustentar o peso global do dólar aparece com frequência no discurso de integrantes do alto escalão. Em fevereiro de 2025, o investidor de venture capital David Sacks, então czar de cripto e IA da Casa Branca, disse que essas moedas poderiam “estender o domínio do dólar internacionalmente” (em tradução livre). Na mesma ocasião, ele falou em potencialmente trilhões de dólares de demanda adicional por títulos da dívida do governo.

Em julho de 2025, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o GENIUS Act, lei que criou um marco regulatório federal para stablecoins de pagamento, poderia fortalecer o status do dólar como moeda de reserva global, ampliar o acesso à economia do dólar e aumentar a demanda por títulos do Tesouro. A pasta segue regulamentando a lei: em 17 de agosto, publicou uma proposta de normas para emissão, oferta e venda de stablecoins de pagamento, aberta a comentários do público. Segundo Bessent, as regras ajudariam a “cimentar” o dólar como moeda de reserva do mundo.

Outras economias constroem os próprios trilhos

A discussão em Washington coincide com o avanço de infraestruturas de pagamento digital em outros blocos. O yuan digital da China está entre as moedas digitais de banco central usadas no mBridge, plataforma de transações internacionais com CBDCs.

Na zona do euro, o Banco Central Europeu prepara um piloto de 12 meses do euro digital, com início esperado para o segundo semestre de 2027, e já convocou lojistas para o piloto.

O que observar

O primeiro ponto é o formato. Vale acompanhar como seriam repartidos os papéis entre o Tesouro, a diplomacia e a agência de financiamento ao desenvolvimento, e que tipo de emissora privada toparia uma sociedade com o governo num produto que, pelo relato, serve também a um objetivo de política monetária internacional.

O segundo é a reação fora dos EUA. Com o euro digital em preparação e o yuan digital já presente em pagamentos entre bancos centrais, a pergunta é se bancos centrais estrangeiros vão tratar a expansão de stablecoins em dólar como concorrência às próprias iniciativas, e se a demanda adicional pela dívida americana citada por autoridades do governo aparece nos números de reservas das emissoras.

Fontes: CointelegraphLet’s MoneyLet’s Money

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